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O prêmio real de Patrícia

Da Redação com Rafael de Paula
| Tempo de leitura: 3 min

Patrícia Martins é uma jovem tímida e, às vezes, de poucas palavras, mas, quando o assunto é confeitaria, logo vem um sorriso no rosto e as palavras começam a sair naturalmente. Irmã de um funileiro, de uma funcionária pública e filha de uma empregada doméstica, Patrícia, 21 anos, acaba de ganhar o primeiro lugar na Olimpíada Nacional do Conhecimento do Senai, em São Paulo - na categoria confeitaria. Com o prêmio, representará o Brasil na categoria internacional na Alemanha, ao que tudo indica em junho do ano que vem.

Vitoriosa nas eliminatórias do Estado de São Paulo, a moradora do Jardim Solange concorreu com outras seis pessoas que representaram Alagoas, Minas Gerais, Ceará, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Foram quatro meses de treinamentos em São Paulo que duravam 12 horas e depois de quase 30 horas de prova, a vitória fez valer os desafios enfrentados por ela e pela família.

“A maior dificuldade foi realmente deixar minha família. Eu ligava para minha mãe todos os dias”, conta Patrícia.

Aluna aplicada e de grande criatividade, a confeitara básica logo não deu mais conta de sustentar o seu talento e, sondada de perto pela sua orientadora, já era hora de alçar novos voos. “Começamos o treinamento aqui na escola há dois anos, só que ela chegou numa fase que a escola esgotou todas as possibilidades de avanço”, comenta a instrutora Rocidélia Prata.

Longe dos tradicionalismos bolos e doces que vêm ao pensamento quando o assunto é confeitaria, a jovem Patrícia agora está dedicada à confeitaria internacional que estabelece a criatividade, por meio dos designers e cores de cada prato elaborado, como fator principal da qualidade que se transforma em obra de arte.

 

O que foi?

Com o tema Primavera/Verão proposto pelo concurso, Patrícia elaborou diversos pratos como small cake e bombons praline com nomes que sempre remetiam as caraterísticas dessas estações do ano.  Na final, o desafio era montar uma estrutura de chocolate, que na opinião da instrutora era a parte mais difícil do concurso. Com o título “Migração”, Patrícia fez um entremet (uma mousse) cuja estrutura de chocolate era um ninho de onde saiam pássaros alçando voo.  De acordo com Patrícia, a estrutura realmente dava a sensação que os pássaros estavam voando, pois foram criados efeitos de rajadas de vento por meio de diferentes espessuras de chocolate. 

 

O crescimento

Desde pequena, Patrícia Martins sempre gostou de ajudar sua mãe em casa, principalmente quando o assunto é cozinhar. Entre os diversos ingredientes de um bom prato, a jovem aos pouco ia tomando gosto por fazer doces. A pequena menina transformava farinha, ovos, leite e açúcar e um delicioso pudim de leite condensado que servia a família depois dos jantares.

A mãe, Márcia Martins, orgulhosa da filha, deixou muitas coisas para trás como o próprio estudo para poder proporcionar aos filhos um futuro com outras conquistas. “A gente tenta dar para os nossos filhos o que agente não teve”, diz a mãe. Diferente dos requintes das sobremesas empratadas, típicas da fina grastronomia internacional, Patrícia prefere comer uma simples tortinha de limão e, assim como os pássaros que alçam voos ligeiros da escultura que montou, logo fará o mesmo. Sairá do ninho da família para alçar voos pelo mundo.

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