Tribuna do Leitor

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Nesta semana, vimos na Câmara dos Deputados o quanto o Brasil ainda está distante de ser uma República laica e liberal, nas acepções plenas dos termos. Apesar da decisão do STF sobre a união homoafetiva e da comunidade médico-psicológico-científica já ter estabelecido que a homossexualidade e a bissexualidade não sejam doenças nem disfunções psíquicas, mas sim uma condição sexual natural tal como a heterossexualidade, a bancada evangélica e pastores obscurantistas como Malafaia deram um show de homofobia e intolerância ao defenderem a "cura gay".

Foram questionados e anulados de forma contundente pelo presidente do Conselho Federal de Psicologia, pelo presidente da ABGLBT e por deputados contrários ao projeto (com destaque para os deputados Jean Willys, Erika Kokay e Jandira Feghali), que visa sustar a resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede a reversão de condição sexual, associada ou não a curandeirismo religioso. Tal como já sabíamos, e os ativistas pró-cidadania deixaram claro mais uma vez, a resolução não impede o psicólogo de atender e de acolher um homossexual ou bissexual com sofrimento psíquico, mas sim veda o uso de terapias de conversão e bem como a propaganda de serviços curativos, quase sempre acompanhados por proselitismo cristianista.

Com mais esse episódio de intolerância e atraso consciência, fica claro que as duas únicas "contribuições" da bancada evangélica à democracia brasileira são insistir no anticientífico e inconstitucional "cura gay", por um lado, e impedir a criminalização da homofobia, agindo, portanto, como cúmplices, por outro lado. Ambas ações fazem parte de uma agenda política anti-gay, surgida devido a maior visibilidade social dos homossexuais e a sua luta por direitos civis plenos, que é contrária aos direitos humanos e à laicidade estatal, que tem como objetivo a eugenia social dos homossexuais (diminuição da população homoafetiva do país) e, por tabela, encher as arcas das igrejas com dinheiro dos homossexuais egodistônicos e iludidos com as falsas promessas de cura.

A bancada evangélica no Congresso Nacional é o Hezbollah brasileiro.

Marcos Augusto de Freitas - Jornalista - Assessor de Imprensa da Associação Bauru Pela Diversidade - ABD

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