Vários maços de dinheiro ilícito foram apreendidos ontem, no final da tarde, num imóvel situado na quadra 2 da rua João Bastos Pereira, no Pousada da Esperança 1, em Bauru. Até o fechamento desta edição, quando as notas novas começavam a ser contatadas eletronicamente, a polícia estimava que montante somasse cerca de R$ 280 mil.
A quantia estava sob a responsabilidade de Caio Renan da Silva Santos, 18 anos, preso em flagrante por ocultação da natureza ou origem de valor proveniente direta ou indiretamente de infração penal. Trata-se de um crime previsto na lei 12.683, que alterou a antiga legislação de lavagem de dinheiro e foi sancionada há menos de cinco meses. Pela primeira vez foi utilizada em Bauru pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Agora caberá a Polícia Civil apurar a origem do montante, cujos maços cercados por fitas adesivas indicavam valores que seriam confirmados. Ao que tudo indica, o dinheiro está associado ao tráfico de drogas, crime considerado carro-chefe. No entanto, também pode estar associado a outros delitos, como roubos em ‘saidinha’ de bancos, de malote ou furto de caixas eletrônicos.
Patrulhamento
A investigação indicará, por exemplo, se as notas são sequenciais. A Polícia Militar chegou até elas durante patrulhamento no Pousada da Esperança. Caio circulava numa bicicleta quando avistou a viatura, tentou fugir e abandonou uma sacola. Na sequência, foi abordado. Estava em frente da própria casa, onde mora apenas com os pais.
Quando os policiais vistoriaram a sacola encontraram outra, com muito dinheiro dentro. Juntas as notas pesavam cerca de 1,5 quilo. Porém, outras sacolas ainda mais pesadas foram encontradas no quarto do rapaz, que não contou de quem as recebeu e nem de quem é o dinheiro.
As cinco sacolas estavam num caixa, coberta por roubas e bichos de pelúcia, numa espécie de estante no quarto de Caio. Quando foram identificadas, surpreenderam a família do rapaz, considerada idônea no bairro. Segundo o titular da DIG Kleber Granja, o crime organizado comumente se utiliza do chamado ‘Zé Povinho’, pessoas sem qualquer passagem pela polícia, que não levantem suspeita ao tutelarem dinheiro e até armas.
A recompensa de Caio, que é de família evangélica e até há cerca de quatro meses trabalhava com carteira assinada, foi encontrada dentro do CPU dele, também apreendida. Quando a perícia pegou a máquina, encontrou dentro dela uma sacola pequena com um valor também não especificado. Ele confirmou ser seu pagamento. Agora, corre o risco de ser condenado por um crime, cuja pena varia de 3 a 10 anos de reclusão.
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Empresa de segurança empresta máquina
Uma empresa de segurança emprestou ontem uma máquina para que o montante apreendido no imóvel no Pousada da Esperança fosse contado. A DIG também tentará encontrar um padrão entre as notas para que possa chegar na origem do crime. “No entanto, contamos com informações ínfimas dos bancos”, comenta o titular da delegacia Kleber Granja.
De acordo com ele, as instituições financeiras tem um protocolo rigorosíssimo para liberar informações e imagens do crime, embora não contem com o mesmo protocolo para garantir segurança às agências. A dificuldade esbarra na apuração de crimes como o de ontem, além de outros. Tanto a Polícia Civil quanto a Militar tinham informações de que grande quantidade de dinheiro seria tutelada em bairros periféricos da cidade, como o Pousada.
“Hoje confirmamos nossa desconfiança. Tem muito mais, inclusive em outros bairros”, comenta major Flávio Kitazume, acrescenta o coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI). (LLF)