Doha - Os Estados Unidos disseram ontem que estão avançando rumo ao cumprimento da sua meta de redução de emissões de gases do efeito estufa até 2020, um plano que muitos cientistas consideram insuficiente para evitar os piores danos do aquecimento global. O negociador climático norte-americano, Todd Stern, defendeu a atuação ambiental do governo de Barack Obama, depois das novas críticas feitas pela União Europeia e por outras delegações participantes da conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) em Doha.
Ele disse que o governo democrata está obtendo progressos, apesar da oposição do Partido Republicano, e citou um estudo sugerindo que as emissões estão diminuindo, em grande parte graças à adoção de regras mais rígidas para as emissões dos veículos e ao uso da energia renovável.
“Há mais que pode ser feito, mas já houve muita coisa”, disse Stern a jornalistas durante a conferência, onde cerca de 200 nações discutem a prorrogação do atual tratado climático global.
A meta adotada pelo governo Obama equivale a um corte de 3 a 4 por cento nas emissões em relação aos níveis de 1990.
Um estudo lançado em 2007 por cientistas da ONU indicava que os países ricos precisariam reduzir suas emissões em 25 a 40 por cento até 2020, em relação aos níveis de 1990, para evitar as consequências mais dramáticas do aquecimento global, como secas, inundações, ondas de calor e elevação do nível dos mares. Quase nenhum país adotou metas tão ambiciosas.
Também presente em Doha, a comissária europeia para questões climáticas, Connie Hedegaard, disse que o principal foco na conferência é sobre um pequeno grupo de nações, encabeçado pela União Europeia e a Austrália, que pretende prorrogar a vigência do Protocolo de Kyoto, atual tratado climático global, que expira no fim deste ano.