Matéria publicada no JC de 02.12 dá conta de que região administrativa de Bauru é a primeira do ranking de investimentos no Interior do Estado de São Paulo, com quase US$ 560 milhões recebidos. Esta notícia só vem a corroborar o sentimento que o bauruense tem ao ver inaugurar, nos últimos tempos, um novo shopping center, três atacados, novos empreendimentos imobiliários na zona sul, novas lojas, indústrias, etc.
Tudo isto enche de orgulho e satisfação o bauruense, que sente sua cidade crescer, ciosa de seu papel de grande centro regional de atividades industriais, comerciais, de serviços, na área da educação, dentre outras. Todo este crescimento traz consigo uma visibilidade e atratividade muito grande à cidade e região. Como consequência, muitas viagens são geradas, tanto intra-urbanas, quanto interurbanas. No entanto, um fato chega a ser preocupante. O crescimento é desejável e saudavel, porém, precisa vir acompanhado de desenvolvimento adequado.
Desenvolvimento urbano desordenado traz consigo diversos problemas: desigualdade social, favelas, congestionamentos, poluição, falta de saneamento, escassez de vagas de estacionamento, transporte coletivo sem qualidade, etc. Atualmente, Bauru está vivenciando um crescimento acelerado, e não está oferecendo condições para um desenvolvimento sustentável.
Os recursos investidos na cidade e região, como mostrou a matéria do JC, trarão por conseguinte problemas graves ao seu sistema de trânsito. O crescimento das atividades ocorre a uma velocidade de "120 km/h", enquanto que as medidas públicas para dar suporte a este crescimento caminham a "30 km/h". Assim, fica difícil não se registrar aumento no número de mortes no trânsito, nos congestionamentos, que passam a ocorrer a cada dia em locais diferentes e em horas mais variadas. As ruas e avenidas são sempre as mesmas enquanto a frota cresce rapidamente .
São necessária medidas mais céleres, mais ousadas e com visão de futuro. É impossível compatibilizar altos volumes de tráfego e grande oferta de estacionamento na via pública. Vias como a Nações Unidas, principalmente na região central, ruas 13 de Maio, Azarias Leite, Antonio Alves e Araujo Leite, além de outras no sentido leste-oeste, podem e devem restringir o estacionamento e dar maior vasão ao fluxo de veículos.
A perda de estacionamento nestas vias poderá ser compensada com incentivo à criação de estacionamentos privados fora delas. Bauru já comporta e merece um estacionamento vertical há muito tempo. Aliás, há mais de 20 anos que o elefante branco, localizado na confluência das ruas 13 de Maio e Bandeirantes, ficou pronto e não funciona. Acomodaria cerca de 750 vagas. No entanto, o esqueleto lá está, sem cumprir a função social da propriedade.
Novos empreendimentos para estacionamentos precisam ser incentivados pelo Poder Público. A cidade não pode ficar à espera de iniciativas expontâneas. Se a cidade precisa, a Prefeitura deve exercer função pró-ativa e fazer com que suas necessidades sejam atendidas. Bauru está muito grande, porém o pensamento de parte de seus moradores e de dirigentes é ainda compatível com o de cidades provincianas. É preciso pensar grande e agir grande. Caso contrário, a cidade crescerá sem oferecer qualidade de vida, o que é ruim para todos.
O autor, Archimedes A. Raia Jr., é doutor em Engenharia de Transportes e professor da UFSCar. Diretor de Engenharia da Assenag. E-mail: raiajr@ufscar.br.