Brasília - O Itamaraty chamou ontem pela manhã o embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, para protestar pela retomada da política de assentamentos de Israel em áreas ocupadas da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.
Eldad foi recebido pelo subsecretário para África e Oriente Médio, Paulo Cordeiro, que reiterou a visão brasileira de que “os assentamentos são uma prática ilegal” e que “não contribuem de forma positiva para a construção da paz”.
Na linguagem diplomática, chamar um embaixador acreditado em um país para fazer um protesto ou pedir explicações equivale a um “puxão de orelhas”, com um efeito mais moral do que prático. Significa que a relação entre os dois países em questão sofreu algum tipo de abalo.
Depois do anúncio de que Israel iria retomar os assentamentos nessas áreas como forma de represália à decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas de reconhecer a Palestina como Estado observador, anteontem os governos da França, Reino Unido, Suécia, Dinamarca e Espanha chamaram o embaixadores de Israel em seus países para protestar contra a decisão.
Também os governos da Irlanda e da Finlândia também convocaram ontem os embaixadores israelenses. Com eles, chega a dez o número de países a reclamarem formalmente.
Boa parte da comunidade internacional considera ilegal a presença israelense em território palestino. Há também argumento de que as construções acabarão por inviabilizar a solução de dois Estados, ou seja, a convivência, ao lado de Israel, de um Estado palestino com capital em Jerusalém Oriental.
Até mesmo os Estados Unidos, tradicionais aliados de Israel, condenaram a decisão israelense de construir mais 3 mil casas em áreas ocupadas, especialmente em Jerusalém Oriental. A avaliação do Departamento de Estado a decisão é “especialmente prejudicial” aos prospectos para a retomada das negociações de paz entre palestinos e israelenses, além de contrariar a posição de Washington sobre o tema.