Damasco - Os países membros da Otan (a aliança militar ocidental) aprovaram ontem o envio à Turquia de mísseis destinados a protegê-la de eventuais ataques relacionados à guerra civil que acontece na vizinha Síria. Mais cedo, o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen reiterara que o armamento não será usado para estabelecer uma zona de exclusão aérea no território sírio.
O confronto entre as forças leais ao ditador sírio, Bashar Assad, e rebeldes que visam sua deposição começou em março do ano passado e já matou mais de 40 mil pessoas, de acordo com a ONG oposicionista Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), baseada em Londres.
Os mísseis Patriot, de fabricação americana, são estritamente defensivos. Segundo autoridades, eles deverão ser programados só para interceptar bombas sírias que cruzarem o espaço aéreo turco, e não para invadir o espaço sírio. Por isso, os mísseis não terão efeito sobre nenhum armamento instalado em território sírio.
Relatos preliminares dão conta de que as baterias serão providas pela Alemanha e pela Holanda. Os EUA também poderão colocar seu estoque instalado na Europa à disposição, caso necessário. Por causa da complexidade e do tamanho do sistema, os equipamentos deverão chegar à Turquia pelo mar.
Não há confirmação sobre o eventual envio de tropas.
O governo turco tem dado apoio aos rebeldes sírios e teme ataques por parte do regime, por isso fez o pedido à Otan. O armamento da Turquia acontece em meio a rumores de que o regime sírio se prepara para usar armas químicas no confronto.
Os governos de Rússia, Síria e Irã criticaram o pedido turco. Mais cedo, Rasmussen disse esperar que qualquer uso de armas químicas provoque uma “reposta imediata” da comunidade internacional. Ameaça similar foi feita pela secretária de Estado Hillary Clinton, segundo a qual os EUA têm planos para agir, caso isso ocorra.