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O embarque do corpo de Niemeyer para Brasília, que estava previsto, para as 12h de hoje, foi adiado para as 13h. O avião sairá do terceiro Comando Aéreo Regional (Comar), área militar ao lado do aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio.
De acordo com Paulo Sérgio Niemeyer, bisneto do arquiteto, a presidente Dilma Rousseff cedeu um avião para levar o corpo e os familiares mais próximos para acompanhar o velório na capital federal.
Em um segundo avião, irá um outro grupo de parentes e amigos para Brasília, às 13h30.
Dois ônibus de turismo sairão do Hospital Samaritano, em Botafogo, onde se encontra o corpo do arquiteto, em direção ao aeroporto. A saída estava prevista para às 11h30, mas atrasou por conta do adiamento do embarque para Brasília.
O velório em Brasília estava marcado para ter início no começo da tarde desta quinta-feira, mas também deve sofrer atraso. O corpo do arquiteto deve voltar para o Rio de Janeiro no final da tarde, onde está marcado um novo velório nesta noite, fechado para familiares e amigos e que ocorrerá no Palácio da Cidade, uma das sedes da Prefeitura do Rio.
Na sexta-feira, terá início, por volta das 8h, uma velório aberto ao público. O enterro está previsto para as 16h.
'Perdi um amigo, perdi tudo, vai ser difícil', diz mulher de Niemeyer
A mulher do arquiteto Oscar Niemeyer, Vera Niemeyer, disse, na manhã desta quinta-feira (6), que perdeu a pessoa mais importante de sua vida. Visivelmente abalada, a viúva do arquiteto conversou com jornalistas na porta do Hospital Samaritano, onde Niemeyer morreu ontem (5) depois de ficar internado por mais de um mês. “Perdi a pessoa que eu mais gostava no mundo. Perdi um amigo, perdi tudo, vai ser difícil.”
Vera lembrou que, mesmo no hospital, o arquiteto se preocupava com a rotina de trabalho de sua empresa e pedia a ela informações sobre o andamento de alguns projetos. A esposa de Niemeyer disse que ele ficou lúcido quase na totalidade dos mais de 30 dias em que ficou internado e que, um dia antes de morrer, pediu para comer um pastel e tomar café.
Vera Niemeyer informou que vai se empenhar para realizar um dos últimos desejos do arquiteto: a produção de um livro que o casal faria junto sobre artes e centros culturais.
Unesco presta homenagem a Niemeyer
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Reprodução |
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O site da Unesco fez uma homenagem para Niemeyer |
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) homenageou hoje (6) o arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, que morreu ontem (5) no Rio de Janeiro. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que Niemeyer merece o título de “artista universal” por seu trabalho e legado. Ela lembrou que Brasília, cuja arquitetura tem assinatura de Niemeyer, está na Lista Mundial da Unesco desde 1987.
"Oscar Niemeyer viveu um século e merece o título de artista universal: pai fundador da arquitetura moderna, deu edifícios de referência às cidades que ele amava, centenas de monumentos reconhecidos por todos nós em Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, e, claro, em Brasília, uma obra-prima do planejamento urbano e da arquitetura moderna”, disse Bokova.
A diretora-geral da Unesco brincou com a irreverência de Niemeyer, pois ele resistia a homenagens e defendia a paixão como combustível para o trabalho. "Oscar Niemeyer costumava dizer que não levava a sério as homenagens e permaneceria ativo até o fim de sua vida.”
Em seguida, Bokova acrescentou que Niemeyer aplicava na prática a principal função da arquitetura. “Apaixonado por seu trabalho, ele estava convencido de que a arquitetura tem que fazer mais do que belos edifícios: tem que contribuir para melhorar a vida na cidade como um todo e incorporar os valores de inclusão, solidariedade e cooperação”.
A diretora ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) presta homenagem à memória de “um grande humanista intimamente envolvido com as preocupações das cidades e defensor fervoroso da humanidade”. “Expresso minhas sinceras condolências à sua família, ao povo do Brasil e ao governo brasileiro por esta grande perda ", disse Bokova. (Renata Giraldi/ABr)
Oscar Niemeyer, principal nome da arquitetura no Brasil, morreu na noite desta quarta-feira (5), aos 104 anos, no Rio de Janeiro.
O arquiteto carioca, que completaria 105 anos em 15 de dezembro, deu entrada no hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, em 2 de novembro, a princípio para tratar de uma desidratação, em sua terceira internação no ano. Mais tarde, porém, Niemeyer apresentou hemorragia digestiva e houve piora em sua função renal. Na terça-feira, uma infecção respiratória levou a uma piora no estado clínico de Niemeyer.
Em outubro, ele havia ficado duas semanas no hospital também por causa de uma desidratação. Em maio, o teve pneumonia e chegou a ficar internado na UTI. Recebeu alta depois de 16 dias. Em abril de 2011, foi submetido a cirurgias para a retirada da vesícula e de um tumor no intestino. Na ocasião, ele ficou internado por 12 dias por causa de uma infecção urinária.
Por indicação de Juscelino Kubitschek (1902-1976), então prefeito de Belo Horizonte, Niemeyer projetou, no início dos anos 1940, o Conjunto da Pampulha, que se tornaria uma de suas obras brasileiras mais conhecidas.Nascido no bairro de Laranjeiras, no Rio, Oscar Niemeyer se formou em arquitetura e engenharia na Escola Nacional de Belas Artes em 1934. Em seguida, trabalhou no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, onde integrou a equipe do projeto do Ministério da Educação e Saúde.
Em 1945, o arquiteto ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), entrando em contato com Luiz Carlos Prestes e outros políticos. Ao longo das décadas, travou amizades com diversos líderes socialistas ao redor do planeta, viajando constantemente à União Soviética --conjunto de países comunistas liderado pela Rússia-- e a Cuba.
Em 1947, Niemeyer fez parte da comissão de arquitetos que definiria o projeto da sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York. A proposta elaborada por Niemeyer com o franco-suíço Le Corbusier serviu de base para a construção do prédio, inaugurado em 1952.
Durante os anos 50, projetou obras como o edifício Copan e o parque Ibirapuera, ambos em São Paulo, além de comandar o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap, responsável pela construção de Brasília.
Ao lado de Lúcio Costa, ajudou a dar forma à nova capital, concebendo edifícios como o Palácio da Alvorada e o Congresso Nacional.
Inaugurada em abril de 1960, Brasília transformou a paisagem natural do Brasil central em um dos marcos da arquitetura moderna.
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Impedido de trabalhar no Brasil pela ditadura militar, Niemeyer se mudou em 1966 para Paris, onde abriu um escritório de arquitetura. Projetou a sede do Partido Comunista Francês, fez o Centro Cultural Le Havre, atualmente Le Volcan, realizou obras na Argélia, na Itália e em Portugal.
Após a anistia, retornou ao Brasil, no início dos anos 1980. No Rio, projetou os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública, apelidados de "brizolões") e o Sambódromo, durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Estado (1983-1987).
Em 1988, Niemeyer se tornou o primeiro brasileiro vencedor do prêmio Pritzker --o Oscar da arquitetura. Depois dele, Paulo Mendes da Rocha recebeu a honraria, em 2006. Ainda em 1988, Niemeyer elaborou o projeto do Memorial da América Latina, em São Paulo.
Graffo |
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Nos anos 1990 e 2000, a produção de Niemeyer continou em alta, com a inauguração do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o Auditório Ibirapuera, dentro do parque, em São Paulo.
Em 2003, exibiu sua versão de um pavilhão de exposições na tradicional galeria londrina Serpentine --que todo ano constrói um anexo temporário.
Em 2007, projetou o Centro Cultural de Avilés, sua primeira obra na Espanha, construída durante três anos ao custo de R$ 100 milhões. Inaugurado em março de 2011, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer foi fechado após nove meses, em meio ao agravamento da crise econômica, desentendimentos entre o governo local e a administração do complexo no dia do aniversário de 104 anos de Niemeyer. Em meados de 2012, no entando, o centro foi reaberto.
Mais de 60 anos após a realização do Conjunto da Pampulha, o arquiteto voltou a assinar um projeto de grande porte em Minas Gerais em 2010, com a inauguração da Cidade Administrativa do governo do Estado, na Grande Belo Horizonte.
Atualmente, em Santos, está em execução o projeto de Niemeyer para o museu Pelé. A previsão é que a obra seja concluída em dezembro de 2012.
Niemeyer deixa a mulher, Vera Lúcia, 67, com quem se casou em 2006. Deixa ainda quatro trinetos, 13 bisnetos e quatro netos, filhos de Anna Maria --sua única filha, morta em junho deste ano aos 82--, fruto de seu casamento com Anita Baldo, de quem ficou viúvo em 2004.

