Para disputar campeonatos de tiro curto, como o Mundial de Clubes da Fifa, alguns técnicos de futebol gostam de armar equipes com jogadores experientes. Pois foi exatamente que Tite fez ao projetar a equipe do Corinthians que vai ao Japão.
O time é praticamente o mesmo que ganhou a Copa Libertadores e manteve a média de idade elevada: 29,45 anos (apenas entre os titulares). O mais jovem é Paulinho, pilar do meio de campo, com 24 anos. O mais velho do time é o atacante Emerson, de 34 anos. Ao seu lado, há uma tropa de trintões: Alessandro (33), Chicão (31), Danilo (33) e Douglas (32). O título mundial coroaria essa geração que venceu o Campeonato Brasileiro e a Libertadores - em 2013 esse elenco certamente será renovado.
Da Libertadores para o Mundial, saíram o zagueiro Leandro Castán, o meia Alex e o centroavante Liedson. Entraram na equipe titular o zagueiro Paulo Andre e o meia Douglas, que já estavam no grupo, e o centroavante peruano Guerrero, contratado do Hamburgo. Além deles, há também o atacante argentino Martínez, vindo do Vélez Sarsfield.
Tite se agarrou no esquema 4-4-2, que ele considera um 4-1-4-1. Nessa formação, Ralf fica à frente dos zagueiros, o meio de campo é congestionado com Paulinho, Douglas, Danilo e Emerson. E Guerrero é o centroavante mais fixo, como um pivô. Dessa maneira, ele monta um time compacto, com pouco espaço livre entre defesa, meio de campo e ataque. Ganha-se em marcação e em um contra-ataque mortal puxado por Emerson, que se movimenta muito e tem liberdade para isso. Ou em uma jogada mortal: a subida de Paulinho, um elemento surpresa - em um descuido ele aparece livre e finaliza ao gol.
Tite treina essas jogadas a esmo nos treinamentos - a Libertadores foi ganha dessa maneira. O ímpeto do time na conquista do torneio continental é usado, dentro do clube, como exemplo, como diz Danilo. “Temos de jogar dessa forma, dando pouco espaço ao rival”, afirmou. A maior preocupação do treinador foi, após a conquista da Libertadores, não deixar que os jogadores sentissem a sensação de dever cumprido, apenas contando os dias para o Mundial.
Se por um lado alguns atletas ganharam folga, Tite impôs uma concorrência interna dentro do grupo durante o Brasileirão. Ela funcionou. Douglas, reserva na Libertadores, cresceu. E Guerrero, na reta final, desbancou Martínez, Jorge Henrique e Romarinho - esses três atacantes serão reservas no Japão.
Tite, jogadores e diretoria evitam em falar em favoritismo para ganhar o Mundial, apesar da queda de rendimento do Chelsea. Afirma que, sim, é possível ser campeão, mas que isso não se tornará uma obsessão.
Na verdade, o que ninguém no Corinthians admite é que, em caso de derrota, o time quer voltar do Japão pelo menos com uma boa imagem. Os fiascos do Internacional, eliminado pelo fraco Mazembe, e a aula de futebol que o Barcelona deu no Santos ano passado estão frescos na memória de Tite. O recado para time é: que a equipe jogue tudo o que sabe. Se vencer, melhor.