Aceituno Jr. |
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Grupo de amigos que mudou o estilo de vida participará de uma corrida de 10km no Rio |
Há dois anos, o empresário Luiz Carlos Santos pesava 115 quilos, fumava, era hipertenso, tinha crises constantes de gota e, se não bastasse tudo isso, teve uma inflamação ocular. No oftalmologista, conseguiu - com o perdão do trocadilho - enxergar seu problema: o sedentarismo. Hoje, após ingressar no mundo das corridas, é outra pessoa, tanto que vai participar de uma prova profissional no Rio de Janeiro neste domingo.
Trata-se da corrida “Nike Rio Corre 10 K”, prova de 10 quilômetros que terá cerca de 5 mil competidores (leia mais ao lado). Além de Luiz Carlos, 38 anos, três outros corredores de Bauru vão competir. Apesar da expectativa para mais um desafio, eles, que fazem parte do grupo “Synergy Personal”, garantem: a preparação é para correr a vida.
Com 23 quilos a menos, Luiz Carlos deixou o vício do cigarro. “Se eu não tivesse começado a correr, meu corpo não teria ‘mandado’ eu parar de fumar”. No lugar da nicotina que o acompanhava há 20 anos, o organismo se acostumou com a corrida, a qual ele classifica como o “vício bom”.
Na mesma época em que Luiz Carlos começou no esporte, as corridas atraíram também o funcionário público Luciano Moreira de Mello, 39 anos. Hoje, quem vê seu sorriso largo e sua disposição não imagina o motivo que ele começou a correr. “Tenho tendência à depressão”, revela.
Com o esporte, ele, que é chamado carinhosamente de “queniano” pelos colegas da equipe, afirma que mudou sua personalidade. “Fiquei muito mais sociável depois que comecei a correr. Estou mais leve. Meu astral deixou de ser cinza”, brinca o corredor.
Ao contrário dos outros, Lucas Alves, 24 anos, já vinha de um passado esportista. Ele chegou a ser goleiro profissional de futebol. Hoje, é empresário e faz da corrida sua filosofia de vida. “Na corrida, pensamos em desistir muitas vezes, porém, traçamos uma meta e vamos em frente. Você passa enxergar que sua vida é assim também. Inclusive no trabalho”.
Endorfina
Os atletas treinam sob supervisão do personal Lincoln Bataiola, 25 anos. Ele também vai com o grupo disputar a prova fluminense no domingo. Questionado sobre qual o maior benefício de correr, Bataiola é direto: “a sensação de bem-estar após a corrida”.
O treinador, graduado em educação física, explica que a prática esportiva libera a endorfina, hormônio que dá uma espécie de sensação de “missão cumprida”. “Além disso, é comprovado que a corrida fortalece musculatura, ossos e o coração”.
Se o professor falar sobre os benefícios ao organismo, os ganhos na vida de cada um são perceptíveis em cada piada do grupo bem-humorado. O segredo para vencer o sedentarismo e entrar nesse universo? “Corra um quilômetro de cada vez. Você tem que ter em mente que seu melhor investimento é você mesmo. E a corrida é um ótimo investimento”, conclui o empresário Luiz Carlos Santos.
Correr é bom, mas exige cuidados
Os benefícios da corrida tanto para a saúde física quanto mental são indiscutíveis. Contudo, é preciso se preparar antes de ingressar na prática esportiva. Do contrário, o que deveria ser positivo pode ter efeito totalmente inverso.
O personal Lincoln Bataiola afirma que é necessária uma avaliação completa antes dos treinamentos. “A pessoa precisa passar por uma avaliação física e médica”, ressalta.
De acordo com o treinador, não é o que ocorre comumente, o que vem preocupando os especialistas. “As pessoas acham que é só calçar um tênis e correr. Não é assim. Além do perigo até cardíaco, tenho conversado com médicos e eles me relatam que o número de lesões aumentou muito”.
Além disso, é necessário todo um trabalho de reeducação alimentar para complementar os treinamentos. “Eu procurei uma nutricionista e ela”, relata Luiz Carlos, “me ensinou a comer melhor. Não passo fome. Aprendi a ter uma boa alimentação”.
Por Copacabana
A prova “Nike Rio Corre 10 K” tem um percurso privilegiado. O trajeto envolve locais famosos do Rio de Janeiro, como os bairros Copacabana e São Conrado. A expectativa dos quatro atletas de Bauru, que treinam cerca de 35 quilômetros semanalmente para a prova, é de que a equipe fique entre as 20 melhores colocadas.
“Mas, na verdade, cada um corre para vencer a si mesmo. Nós aprendemos a não competir com o outro. Trata-se sempre de uma superação pessoal”, aponta Luiz Carlos Santos.
Sem lugar, sem hora
O sedentarismo se apoia em algumas desculpas. Uma das mais comuns é a falta de tempo para praticar atividades físicas. A corrida, porém, acaba com essa desculpa. “A corrida se adapta a você. Não existe hora e nem lugar para correr”, afirma o personal Lincoln Bataiola.
Todos os atletas afirmam que foi só organizar a rotina no trabalho e em casa para encontrar tempo. Tanto que conseguem até viajar para disputar competições.
Lucas Alves já está inscrito na São Silvestre. Seu companheiro de equipe, Luiz Carlos Santos, ainda não. “Tenho que conseguir a autorização da mulher”, brinca, esbanjando bom humor.
