Primeiro suplente do PPS na legislatura 2009-2012 da Câmara Municipal de Bauru, Sassá do Posto (PPS) conseguiu ontem, na Justiça Eleitoral, o direito de assumir a cadeira de Amarildo de Oliveira (sem partido). O ‘novo vereador’ reivindicou sua vaga com base na fidelidade partidária, pois o apresentador de televisão deixou o PPS, pelo qual foi eleito, em abril deste ano.
O julgamento aconteceu ontem e, às 18h13, o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou que o acórdão foi julgado procedente pela juíza relatora Clarissa Campos Bernardo. O Ministério Público Eleitoral também já havia se manifestado favoravelmente à demanda de Sassá.
A reportagem não conseguiu contatar o Diretório Municipal do PPS nem o parlamentar Amarildo de Oliveira, apesar de insistentes contatos telefônicos.
O interessado Sassá do Posto não sabia ainda da decisão, mas lamentou a lentidão no julgamento para ação ingressada em junho deste ano.
“Eu sinto muito porque se eu tivesse conseguido durante as eleições, teria tido uma vitrine maior para o meu trabalho e mais chances de ser eleito. A região Leste de Bauru, principalmente o Mary Dota e o Beija-Flor, ficou mais uma vez sem um representante que more lá. É uma pena”, declarou ao JC.
Neste ano, Sassá recebeu 1.082 votos; 20 a mais do que tivera em 2008, quando ficou em quarto lugar, atrás de Amarildo, Jurandyr Bueno (falecido) e Moisés Rossi (PPS), parlamentar reeleito em 2012.
A desmotivação de Sassá não é à toa. A vitória judicial pode ser inócua, pois a atual legislatura se encerra no final do ano e a última sessão parlamentar ordinária está marcada para a próxima segunda-feira. Ou seja, dificilmente ele conseguirá atuar, de fato, na Câmara Municipal em razão dos prazos curtos.
De qualquer forma, durante a legislatura, Sassá teve a oportunidade de assumri o mandato durante curto prazo em que Rossi se afastara por motivos de viagem.
Justificativa
Apesar de ter saído do PPS, Amarildo de Oliveira não se filiou a outra sigla partidária. Mesmo que o fizesse, não poderia ter concorrido à reeleição em 2012. Isso porque a legislação eleitoral exige que um candidato faça parte dos quadros de um partido há pelo menos um ano antes do pleito. No caso, outubro de 2011.
A saída de Oliveira, que recebeu mais de 6 mil votos em 2008 e se tornou, à época, o parlamentar mais votado da história de Bauru, não foi amigável.
Ela aconteceu por conta da mudança de posicionamento do PPS no período pré-eleitoral. Depois de mais de três anos no campo oposicionista, a legenda embarcou na arca do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para se fortalecer na disputa eleitoral.
Oliveira se recusou a acompanhar o grupo em razão do perfil de seu mandato, marcado por duras críticas à administração municipal. Além disso, a relação com a direção do partido e com o colega de bancada, Moisés Rossi, já não era das melhores. “Eu não mudei e essa administração não mudou. Os problemas estão aí e eu não conseguiria sair na rua e pedir votos para o prefeito. Só estou curioso para saber qual foi a negociação que envolveu a aliança”, declarou na ocasião de sua desfiliação do PPS.
Futuro político
Em entrevista recente ao JC, Amarildo contou que ter recebido propostas de quatro partidos para dar continuidade a seu futuro político: PSDB, DEM, PTB e PDT. Os dois primeiros estiveram com o vereador na bancada de oposição ao governo municipal. Mas o vereador sempre demonstrou resistência ao se aproximar do ninho tucano. Durante a construção do cenário eleitoral de 2012, chegou a criticar a possibilidade de o partido lançar Elizeu Eclair Teixeira Borges como candidato à Prefeitura de Bauru. Os dois têm antigo desafeto.
Oliveira sempre foi muito próximo de Chiara Ranieri (DEM) e José Roberto Segalla (DEM), mas não garante que vá se filiar ao partido dos colegas, até mesmo com a missão de reestruturar a sigla, que não elegeu parlamentares para a próxima Legislatura e saiu como a principal derrotada do último processo eleitoral.
Segundo o vereador, o convite do PDT partiu do deputado estadual Major Olimpo, já que, no município, a sigla é comandada por Fabiano Mariano (PDT), aliado do prefeito. No PTB, que também apoiou Rodrigo, a proposta veio de lideranças regionais. “Estou analisando tudo”, afirmou.