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Semáforo: abordagem pede cuidado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Polícia Militar recomenda cautela aos motoristas que forem abordados em semáforos.

Um homem se aproxima e se oferece para limpar o para-brisas do carro. Outro encosta na janela do motorista para vender balas ou pedir trocados depois de exibir-se com malabares. Nesta época do ano, quando há mais carros e dinheiro circulando, aumenta a quantidade de abordagens em semáforos localizados nos cruzamentos das principais vias de Bauru.

Embora a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) venha se esforçando para tirar crianças e adolescentes das ruas, adultos também sobrevivem do trabalho nas ruas e nem sempre estabelecem uma relação amistosa com os motoristas. Na noite de anteontem, este clima de tensão chegou ao limite.

Um homem de 44 anos que trabalhava como limpador de para-brisas no cruzamento da rua Treze de Maio com a avenida Rodrigues Alves atirou líquido com detergente em uma auxiliar de escritório de 34 anos, que havia se negado a aceitar o serviço. Ela teve o braço e o uniforme de trabalho atingidos e procurou a Polícia Militar (PM) para registrar a ocorrência.

Segundo o capitão Samuel Gomes Pereira, comandante da 3ª Companhia da PM, alguns cuidados devem ser tomados para evitar este tipo de transtorno. Para ele, a atitude da vítima foi correta por ter solicitado a intermediação da PM.

Antes disso, no entanto, a auxiliar de escritório envolveu-se em uma pequena discussão que acabou levando o limpador à atitude agressiva. “Se houver insistência ou ameaça, a pessoa deve chamar a polícia imediatamente. Em nenhuma hipótese deve se alterar ou reagir, porque não há como prever qual será a reação da pessoa que está fora do carro”, pondera.

De fato, o motorista, dentro do veículo e preso no trânsito que aguarda a abertura do semáforo, está em desvantagem. E é dela que alguns limpadores costumam se valer. Em muitos casos, eles lançam o produto líquido no para-brisas antes mesmo do motorista autorizar a limpeza.

É uma estratégia, conforme eles mesmos reconhecem, para pressionar o “cliente” a aceitar o serviço. “Antes, a gente não queria nem saber. O carro parava e a gente já metia água, para o motorista não ter chance de dizer não”, comenta o limpador E.D., 28 anos, há um ano trabalhando no ramo.


Arma na mão

Mas, de acordo com ele, depois de algumas abordagens policiais, ele e o amigo F.H.L., 27 anos, passaram a respeitar a vontade do motorista. Eles revelam que, hoje, na cidade, existem quatro limpadores de para-brisas e não são raras as vezes em que ocorrem desentendimentos junto aos condutores.

“Já teve motorista que saiu na rua com uma arma na mão. Também somos humilhados”, diz um deles. Na tarde de ontem, E.D. e o amigo trabalhavam no cruzamento da rua Rio Branco com a avenida Duque de Caxias, mas ao longo do dia percorrem outros pontos movimentados da cidade, como as esquinas das avenidas Nações Unidas, Rodrigues Alves e Getúlio Vargas.

Conforme a titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, não há como a pasta impedir o trabalho dos limpadores, embora equipes já os tenham alertado sobre os cuidados que devem tomar ao abordar os motoristas. “Temos orientado que eles não podem obrigar ninguém a pagar por um serviço que não foi solicitado. Se alguém se sentir coagido, deve chamar a polícia”, reforça.

Assim como o comandante da 3ª Companhia, Darlene também destaca que a negativa deve ser firme, mas sem exaltação. E, caso não desejar o serviço, o dinheiro não deve ser oferecido como solução para livrar-se do problema.

“São todos maiores de idade e a esmola reforça esta atitude hostil por parte deles. O que eles precisam entender é que não podem ganhar dinheiro pressionando as pessoas”, salienta.

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