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Falta de assistência noturna prejudica combate ao crack

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Embora atue em diversas frentes para recuperar dependentes químicos e combater, principalmente, o avanço do crack, a rede de assistência de saúde municipal ainda carece de atendimento noturno de urgência especializado na área. É o que aponta Uriel de Almeida, coordenador do Albergue Noturno, para onde grande parte dos dependentes é encaminhada após a busca ativa realizada durante a madrugada pelas equipes da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

“Somos a porta de entrada e fazemos a linha de frente, o trabalho pesado, sem sermos especializados em atendimento a dependentes. Hoje, 80% dos nos nossos 70 leitos são ocupados por usuários de álcool e drogas”, observa.

Sem um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps) 24 horas, usuários em surto são encaminhados ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde, segundo Uriel, não existe equipe própria para tratar dos casos. “Eles dão um ‘sossega leão’. Quando é o caso, pedem vaga para internação e, se não consegue, o paciente recebe alta e vai para a rua de novo”, comenta Uriel.

Secretário municipal de Saúde, Fernando Monti reconhece esta limitação do sistema, mas salienta que os dependentes sempre recebem encaminhamento para tratamento em unidades como o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps/AD) ou o Ambulatório Municipal de Saúde Mental.

Mas, de acordo com ele, no primeiro trimestre de 2013, a secretaria deve inaugurar o Caps 3, que funcionará 24 horas para atender exclusivamente dependentes químicos adolescentes. Mas a unidade, ele adianta, não irá oferecer serviços de urgência e emergência psiquiátrica.

“É possível que nem tenha médico durante a noite. O objetivo do funcionamento 24 horas é para acolhimento dos usuários. O tratamento de crises continuará sendo feito no PSC”, frisa.


‘Tapando buraco’

Além de lamentar a ausência do Caps 24 horas, Uriel argumenta que o Albergue Noturno teve de providenciar um espaço com 20 leitos dentro de suas dependências para abrigar, por tempo indeterminado, usuários que recusam a internação, mas não querem mais permanecer nas ruas.

“No período noturno, não tem ninguém que os acolha, porque todas as unidades de atendimento ficam fechadas. Ficamos tapando buraco. É um trabalho que as casas de passagem, inauguradas pela Sebes, deveriam estar fazendo. Mas estas casas, até agora, também estão fechadas”, reclama.

Procurada, a titular da pasta, Darlene Tendolo, negou a informação, destacando que as duas unidades abertas neste ano - uma para atender homens e outra, mulheres - já estão funcionando. “Para as casas de passagem, estão sendo encaminhados usuários de crack que estavam nas ruas. Os demais dependentes químicos vão para o Albergue”, esclarece.

Para Uriel, todos os organismos envolvidos com o combate ao crack deveriam se mobilizar para discutir o tema e, assim, tentar sanar as falhas que ainda impedem a redução da reincidência de casos junto à rede de assistência.

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