Cultura

Tocando a vida por música: Paulo Sérgio Villaça de Souza Barros

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Paulo Villaça tem 36 anos de carreira como músico e arranjador. Atualmente se dedica ao ensino desta arte como proprietário da Escola de Música “Cursos Acordes”.

Ele tocou na inauguração do Armazén Bar, em 20 de novembro de 1980,  e em locais como o Vale do Ribeira e antiga Cervejaria dos Monges, além de formaturas e eventos ao longo dos anos.

Seu local preferido é o Templo Bar, tocando chorinho com amigos. “Ser músico é algo que dá muito prazer”, resume.

Os arranjos musicais sempre fizeram parte de sua preferência na prática de seu trabalho e arte. “O músico é um profissional como qualquer outro. Não existe mais o clichê antigo de que músico é boêmio. A prova disso são os meus alunos, que já realizaram shows no Brasil e no exterior”.

Os instrumentos que toca são violão de sete cordas, cavaquinho, bandolim, viola de dez cordas, saxofone, flauta transversal, piano, teclado, contra-baixo e guitarra, dependendo do estilo musical.


Jornal da Cidade - Na prática, sua carreira se inicia com qual idade? Teve influência de alguém?

Paulo Villaça - Eu comecei em 1976 por acaso, com incentivo de minha mãe para tocar violão, numa época em que não tinham professores específicos em Bauru. Em 1977 assisti a um show do Paulinho Nogueira no Bauru Tênis Clube e vi que era isto que eu queria. Comecei a aprender com seu Manuel, tocando em missas, ouvia choro e era bom aluno na escola. Eu vi que era a música que eu queria para mim. Dentre os limites de aprendizagem comecei a me interessar e buscar novos instrumentos, como a bateria. Sendo de uma família de engenheiros, fui incentivado a estudar, quando perceberam que eu gostava de música fui incentivado a estudar em Tatuí, posteriormente em São Paulo, Piracicaba, Porto Alegre, em cursos profissionalizantes de música.

 

JC - Você já se identificava neste momento com algum estilo ou tendência musical?

Villaça - Sim. A música popular brasileira. Eu tive muitos grupos, em mais 14 cidades e participei de diversos festivais de música, sempre atuando como arranjador e músico de MPB.

 

JC - Na sua opinião, a música é um dom? Ou é possível desenvolvê-la com o tempo?

Villaça - É uma profissão como outra qualquer. O que acontece é que tem um estigma de “você tem que ter o dom”. Pra qualquer função é preciso ter um dom, como um médico ou advogado, por exemplo. É 95% inspiração e 5% de dom. Por analogia, aprender música é como aprender um idioma: tem toda análise sintática e morfológica, o que se precisa é de um bom vocabulário. Na ideia de se ter um ensino formal, a música é como aprendermos a ler, a escrever ou a falar. No caso, é preciso saber ouvir e tocar um instrumento, sendo alfabetizado musicalmente. Então, quando se perde um desses processos, num processo de crescimento, aí se justifica dizendo que não tem o dom.

 

JC - Você também é compositor e já gravou CDs?

Villaça - Eu gravei uma série de CDs como produtor e arranjador, mas não com composições próprias. Mesmo tendo um momento na minha carreira em que eu comecei a compor, preferi trabalhar como músico, no arranjo musical.

 

JC - Qual sua maior alegria nesses tantos anos de música?

Villaça - Ser músico é uma coisa que me dá muito prazer. Com mais de 25 anos dando aulas de música, eu vejo meus alunos fazendo sucesso e isso me dá muito prazer. Tive alunos, inclusive, que estudaram música em universidades no Brasil e no Exterior.

 

JC - Como você vê hoje a Música Popular Brasileira?

Villaça - A gente acha que não vai ter um choque de gerações. No que se refere à musica, o grande problema da atualidade é a “falta de massa cinzenta ativa”, ou seja, em geral “não se pensa mais”. Mesmo assim é importante dizer que há muita gente boa, com muitas vezes falta de espaço. Ou seja, nós temos a musica arte, a comercial e o “lixo”, que infelizmente é 90% do que se divulga hoje nos grande meios de comunicação em geral, principalmente na televisão, que são formadoras de opinião, inclusive para as crianças, que talvez não tenham a oportunidade de conhecer a riqueza cultural de um local ou país. A arte é importante.

 

JC - O que você gosta de ouvir quando está em casa ou no carro?

Villaça - Eu já ouvi de tudo. Tenho uma formação erudita. Mas o gênero musical que eu aprecio muito é o choro, conhecido como chorinho.

 

JC - Você tem algum ídolo da música que gostaria de conhecer? Se tem, o que diria a ele?

Villaça - Um ídolo é pouco. Para quem estuda música, acaba por ter muitos. Citar um seria injustiça ao meu ver. A música teve muito gênios que deixaram muito conhecimento musical.

 

JC - Qual instrumento é mais querido por você?

Villaça - Tenho vários. Meu primeiro instrumento foi o violão, depois fui para cavaquinho, bandolim, contra-baixo, saxofone, flauta transversal, teclado e viola caipira. Ou seja, depende do gênero musical em que eu for tocar num determinado momento.

 

JC - Se você fosse um instrumento, qual gostaria de ser? E por quê?

Villaça - O piano, por poder explorar graves e agudos em vários tipos de partitura.

 

JC - Qual foi sua apresentação inesquecível?

Villaça - Tive muitas, mas numa noite de apagão, no Templo Bar, foi muito bom e agradável. Eu e os meus amigos tocamos de improviso durante um longo tempo com os instrumentos que não precisam de energia - clarineta, pandeiro e violão. Foi um prazer.

 

JC - Afinal, é verdade que quem canta seus males espanta? Quem toca também?

Villaça - Sim. Não tenha a menor dúvida disso.

 

JC - Seu filho, Gustavo, está seguindo seus passos na música?

Villaça - Meu filho começou a aprender violão comigo, mas hoje é engenheiro de produção. Ele tocava bem, mas foi se dedicar aos estudos e à sua carreira.

 

JC - Você  também se identifica com outras artes?

Villaça - Sim. Gosto das artes plásticas, do cinema e do teatro. Já trabalhei em peça teatral e balé.

 

JC - Existe um lugar preferido onde você mais gosta de se apresentar?

Villaça - O que mais eu gosto é tocar chorinho no Templo Bar. É muito especial pra mim.


Perfil

Nome: Paulo Sérgio Villaça de Souza Barros

Idade: 50 anos

Local de Nascimento: Bauru

Companheira: Bebel

Signo: Sagitário

Filho: Gustavo

Hobby: Tocar chorinho

Livro de cabeceira: Não tem, prefere a leitura de partituras

Filme preferido: Que tenham conteúdo, os de ação por exemplo.

Estilo musical predileto: Jazz, bossa nova, chorinho e todos os gêneros com qualidade

Time: Corinthians

Para quem dá nota 10: Aos que se doam para ajudar os menos favorecidos

Para quem dá nota 0: Aos falsos, arrogantes e prepotentes

e-mail: cursosacordes@ig.com.br

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