Tribuna do Leitor

Amém, Marcos!


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Dificilmente existirá um dia, um jogo, uma despedida tão emocionante quanto a de Marcos Roberto Silveira Reis. Ele conseguiu ser admirado por uma nação mesmo vestindo a camisa de apenas um clube. "Para mim, foi uma honra enorme vestir camisa da Seleção e, principalmente, da Sociedade Esportiva Palmeiras." Quando ele diz "principalmente" ao clube, entendemos o quanto ele é especial. Ele conquistou a tão sonhada Copa do Mundo como titular absoluto da nossa adorada Seleção Brasileira. Conquistou diversos títulos com o manto sagrado da Sociedade Esportiva Palmeiras. Mas não foram somente suas conquistas memoráveis, nem suas defesas milagrosas que o fizeram uma unanimidade.

São Marcos é um exemplo de ser humano, um ídolo perfeito. Um caráter incontestável, uma simplicidade encantadora, um bom humor contagiante. Sempre foi um torcedor palestrino que calçava as chuteiras e estava dentro de campo nos representando. Como ele disse em seu emocionante discurso de despedida dos campos "Eu queria que vocês tivessem orgulho de mim, porque eu estava em campo defendendo vocês".

Orgulho é uma palavra muito apropriada para descrever o sentimento que um palmeirense tem por essa figura inigualável. Com toda a certeza a torcida do Palmeiras vai atender o seu último pedido, que nunca seja esquecido. Marcão sempre será lembrado como o maior, como o melhor. Quem teve a honra de vê-lo jogar, sentirá imenso orgulho ao contar isso de agora em diante. São Marcos só fez aumentar o orgulho que os palestrinos sentem de fazer parte dessa torcida, tornou a história desta sociedade esportiva ainda mais rica!

Todo um amor de uma torcida completamente apaixonada por seu clube foi direcionado para este ídolo. Não só nos bons momentos estivemos juntos, nos maus também, porque sabemos que estamos sentindo a mesma dor, pois somo palestrinos, nunca desistimos. Foi assim em 2002, quando após ser campeão do Mundo, escolheu jogar a série B pelo Palmeiras, recusando uma proposta milionária vinda da Inglaterra. Em sua biografia "Nunca Fui Santo" - sempre modesto -, Marcos cita uma falha em sua carreira "Assumo que o erro foi meu. Ponto-final". Essa tal falha foi na final do Mundial de Clubes de 1999, um jogo importante. Porém, os palestrinos pouco se importaram com um fato tão insignificante. Ao chegar ao aeroporto Marcos se deparou com faixas que diziam que o Palmeiras só tinha chegado a Tóquio por causa das suas defesas. Estas são apenas provas que amamos São Marcos em uma falha clara em uma final, que ele ama o Palmeiras na série B ou em uma despedida inesquecível, emocionante. Uma constelação de jogadores presentes em um jogo de uma estrela que brilhará para sempre no céu do Parque Antártica.

É possível afirmar que não existiu um palmeirense que não teve seus olhados tomados por lágrimas ao ouvir as últimas palavras de São Marcos como jogador do amado clube do Palestra Itália, ao assistir aquela cobrança de pênalti, ao ver pela última vez aquele um metro e noventa e três operando milagres em forma de defesas. Foram praticamente 40 mil pessoas no Pacaembu e incontáveis brasileiros em todos os lugares do país na noite do dia 11/12/12 que quando passou a ser dia 12/12/12 disseram amém a São Mrcaos.

Érika Alfaro de Araújo

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