Washington - Após quatro dias de silêncio, o principal lobby pró-armas dos EUA, a Associação Nacional de Rifles (NRA), divulgou ontem um comunicado no qual se diz “chocado” com a morte de 20 crianças e seis adultos por um atirador em uma escola em Newtown.
O texto, de cinco parágrafos curtos, atribui a demora ao respeito às famílias das vítimas, promete “apoio significativo” para evitar novas tragédias e marca uma entrevista coletiva para hoje.
A NRA estava calada desde a chacina de sexta-feira, sem responder a pedidos de entrevistas nem se manifestar em redes sociais. Na quinta, a associação festejara com um tuíte seu 1,7 milhão de seguidores no Facebook. Ontem, porém, sua página oficial no site não existia mais.
A hesitação inédita do grupo, que alega ter 4,3 milhões de afiliados e só neste ano gastou US$ 2,2 milhões em lobby segundo o Cetro pela Política Responsável, indica mudanças no debate sobre porte de armas nos EUA.
A população americana, segundo pesquisas, é majoritariamente a favor da Segunda Emenda -a lei de 1791 que garante a todos os cidadãos o direito de portar armas.
Nos últimos meses, porém, o apoio a algum tipo de restrição cresceu.
Pesquisa feita pela rede de TV CBS entre sexta e domingo com margem de erro de quatro pontos percentuais indica que 57% são a favor de mais controle - embora o aumento do apoio seja esperado, é a primeira vez na série que ele supera 50%.
A mudança também chegou ao mundo corporativo.
O fundo de investimentos Cerberus anunciou ontem que venderia sua participação na fabricante de armas Freedom Group, que produz o fuzil usado por Adam Lanza na chacina em Newtown.
“A tragédia (na escola) Sandy Hook foi um divisor de águas que levantou um debate nacional sobre controle de armas a um nível inédito”, declarou a empresa em nota. A brasileira Tauros é citada no “New York Times” como interessada na compra.
O debate tomou a atenção dos políticos, com uma proposta na Califórnia para restringir a venda de munição e negociações para ressuscitar uma lei que vete venda de armas de assalto (fuzis automáticos, que disparam rajadas), defendida pela senadora democrata Dianne Feinstein.
Ontem, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que o presidente Barack Obama “apoia ativamente” a ideia. Ainda segundo Carney, Obama estaria disposto a estudar restrições à venda de munições.
A declaração é a mais clara sobre as intenções do democrata até agora. O presidente conclamou a população a se unir por “ação significativas”, mas evitou citar Constituição.