Como diz o clichê, "errar é humano"... mas esconder o erro, não admiti-lo ou tentar minimizá-lo sob o argumento de que "eu não sabia..." é no mínimo triste. Sr. Karl Heinrich Heinz, eu posso não saber do "Zé" que morreu do outro lado da cidade, pois eu não o conhecia... Eu posso não saber da chacina da Candelária, afinal, foi no Rio... mas, sendo um militar nazista, não saber da morte de 50 milhões de pessoas, muitas das quais seus conterrâneos (alemães), por conta de serem judeus? É difícil crer... Como descendente da família alemã Kleeberg, ainda me dá um nó na garganta quando olho o capacete nazista "herdado" de meu avô e confesso que não pude conter as lágrimas no Musée de L?Armée, em Paris, ao deparar-me com a exposição das roupas utilizadas pelos judeus e imaginar como um ser humano pode fazer aquilo com um semelhante...
Por mais que se negue o passado, por mais que os anos o tenham transformado num simpático velhinho (como meu avô), olhe pela janela do passado, de seu avião, sr. Heinz, e verá uma multidão de corpos espalhados pelo chão e, certamente, lembrará o cheiro da carne queimada nos fornos... Acredite, a melhor forma de nos perdoarmos é admitirmos os erros... Não quero ser grosseiro ou acusá-lo de nada, mas, por favor, não negue o inegável... Quanto ao Aeroclube de Bauru, a "homenagem" foi, no mínimo, de mau gosto.
Benedito José A. Falcão