Um tribunal da cidade de Douai, no norte da França, rejeitou nesta quarta-feira (19) um pedido do ex-dirigente do FMI Dominique Strauss-Kahn para arquivar inquérito no qual é acusado de negociar prostitutas. Com isso, os juízes instrutores podem continuar com seus procedimentos com a intenção de formular um processo.
Os advogados de Strauss-Kahn tinham justificado seu pedido de arquivamento com o argumento de que os juízes não tinham sido imparciais, pois repassaram elementos do inquérito à imprensa. Eles ainda afirmam que seu cliente não sabia que as mulheres presentes nas festas eram prostitutas.
"A equipe de defesa de Dominique Strauss-Kahn está certa de que, no fim, ele será inocentado destas acusações absurdas", afirmou o advogado Henri Leclerc em um comunicado, acrescentando que havia planejado levar a questão ao Supremo Tribunal da França.
Strauss-Kahn está no centro de investigações a respeito de supostas orgias com prostitutas ocorridas entre 2008 e 2011 nas cidades de Paris, Bruxelas, Lille (França) e Washington. O esquema acabou sendo batizado como caso Carlton, devido ao nome do hotel onde teriam acontecido alguns dos encontros.
Conforme a Promotoria, as festas constavam da agenda do então dirigente do FMI; foi encontrado um grande volume de mensagens entre Strauss-Kahn e um dos empresários que organizariam as orgias; e as garotas de programa afirmaram, em depoimento, que, embora não declarassem ser prostitutas, era "evidente" que elas realizavam as fantasias sexuais do francês em troca de dinheiro.
Strauss-Kahn ainda pode recorrer da decisão no Supremo Tribunal e no Tribunal Europeu de Direitos Humanos.
O veredicto veio apenas alguns dias depois de Strauss-Kahn ter fechado acordo sobre um outro processo no qual uma camareira de um hotel de Nova York o acusava de tentar estuprá-la em maio do ano passado.
Esse incidente enterrou as ambições de Strauss-Kahn de concorrer à Presidência da França, assim como sua carreira no Fundo Monetário Internacional.