Geral

Será amanhã o nosso último dia?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

O tema inspirou a artista Viviane Mendes, que produziu uma série de telas mediante a um suposto “caos planetário”.

Após sobrevivermos ao 12/12/12, quando para alguns o mundo poderia terminar ou, para outros, seria o “início do fim”, chegamos à véspera da tão falada data de 21/12/12, marcada, de acordo com algumas interpretações do calendário da extinta civilização Maia, para ser o último dia de nossa existência.

Tem gente até preparada para um cataclismo, não necessariamente nesta sexta-feira. Por outro lado, também há explicações sobre a suposta hora marcada para o fim lida no calendário maia.

Para a historiadora Sônia Mozer, o cessar do calendário da antiga civilização, que desapareceu da América Central antes mesmo da chegada dos colonizadores europeus no século XVI, representa apenas o final de um ciclo, nada mais. “O nosso entendimento de calendário é muito diferente daquele que tinham os maias”, observa.

Segundo a estudiosa, enquanto a contagem gregoriana é “quadrada”, a da antiga civilização é “redonda”. Nada a ver com propaganda de cerveja. O fato, explica a historiadora, é que os maias dividiam os períodos em ciclos. Ao fim de cada, ensina ela, é dada a largada para outro.

“Não é o fim do mundo, e sim de um ciclo, cada um com duração de cinco mil anos. A grosso modo, numa visão simplista, é como o 31 de dezembro para nós”, compara a professora.


Cisma moderna

O calendário é dos maias, mas a preocupação com um supostamente indicado final dos tempos é exclusividade moderna, observa a historiadora.

Para ela, a antiga civilização não temia um final do planeta. Apesar da população maia - sim - ter sido erradicada (mais por conflitos internos do que após a conquista espanhola na América), o mundo, observa a estudiosa, continuou. “Isso de se ler o fim do mundo já ocorreu em outras ocasiões. São períodos em que valores e crenças se encontram em crise”, considera.

A Idade Média - ou “idade das trevas”, passagens de milênio... Segundo a professora, são ocasiões que exemplificam um temor acentuado pelo fim de nossos dias na face da terra. “Máximas como ‘de dois mil não passarás’ também se incluem nessa visão de que o final é simbolizado por algo que virá do céu, por meio de uma natureza que não podemos controlar”, opina.


O Caos na tela

Enquanto uns negam outros creem num fim, mas não para já. Esse final, entretanto, não ocorreria especificamente com relação ao chão que a gente pisa. O mundo, assim como aconteceu com os dinossauros, ficaria. Quem iria embora seríamos nós.

Para a artista plástica bauruense Viviane Mendes, essa é a teoria mais plausível envolvendo um suposto apocalipse. O tema despertou a curiosidade e, mais do que tudo, inspiração na artista, que produziu uma série de telas mediante a temática a um suposto “caos planetário”.

Tempestade Solar, Planeta Regenerado, Muitos Serão Chamados, Poucos Escolhidos, o Caos (tanto planetário quanto emocional) são alguns dos quadros concebidos pela pintora bauruense.

“A questão não é o que vai acontecer, mas sim quando”, conceitua Viviane que, apesar de crer na tese de que “para haver renovação ou regeneração, inevitavelmente, ocorre a destruição, não é fã de alarmismos. “O mais importante é não entrar na frequência do medo”,  observa.

 

Ponte para o futuro

Quem costuma ler o futuro por meio das cartas também descarta um fim do mundo, ao menos para os próximos dias. Cartomante, Fátima  Dalva Ramos não enxerga nenhum indício de cataclismo nas previsões diárias que faz. Ela também acredita que as teorias ligando o calendário maia ao fim do nundo são infundadas. “Vejo boas novas, renovação”, anuncia ela.

O mais importante, observa a cartomante, é confiar nas vibrações positivas que, segundo ela, estão para vir. “Se você está com o astral positivo e age desta forma, atravessará a ponte que precisa passar e chegará em segurança do outro lado”, tranquiliza.

Cifradas ou não, as mensagens são de futuro promissor, esclarece a cartomante. “As forças estão ao nosso favor”, garante.

Comentários

Comentários