Os abraços natalinos e os desejos de boas festas são hoje, para muitas pessoas, uma mera cortesia, uma pequena etiqueta que mascara o verdadeiro sentido do nascimento de Cristo. Segundo a Bíblia, Cristo veio ao mundo para redimir os homens e ensinar-lhes o caminho do bem, da paz, do amor e da salvação. Eis o verdadeiro significado de Sua vinda.
O Natal, porém, está cada vez mais ameaçado pela moral conturbada de nossos dias pelo materialismo capitalista que o transformou em desculpa para o consumismo desenfreado, deturpando sua essência em prol de faturamentos altos. O 25 de dezembro virou pretexto para a troca de mercadorias - pois que nem sequer podemos chamar de "presentes" (palavra que na origem era sinônimo de "dádiva") esses produtos trocados sem afeto, por simples ostentação.
Para muitas crianças e adultos, o maior símbolo do Natal é o Papai Noel, um bom velhinho que, conduzindo um trenó guiado por renas, atravessaria o planeta recompensando as crianças boas e punindo as más. Poucos talvez saibam que o Papai Noel foi baseado em São Nicolau, um religioso que salvou a honra de três irmãs ao arranjar-lhes um dote para o casamento (naquela época necessário), e que por isso foi associado à distribuição de dádivas materiais (mas apenas quando elas eram de fato necessárias). Pois essa simpática figura está hoje totalmente esvaziada de seu significado religioso.
Papai Noel virou garoto propaganda de tudo, de brinquedos a revistas masculinas, ajudando a impulsionar as vendas e a criar a necessidade de ter, de possuir, de comprar. Sequestraram o simpático velhinho! O privaram de sua santidade, de seu caráter de recompensador de boas ações - o que importa é que o carrinho de meu filho seja mais caro que o do filho do vizinho. E daí que ele tenha sido malcriado o ano todo, ou que no dia seguinte esse carrinho terá sido posto de lado, mais um entulho no meio de uma casa já repleta de bens materiais desnecessários.
Esse consumismo sem limites, associado a uma demonstração forçada de alegria, causa ainda outros efeitos colaterais - o Natal tem uma das maiores taxas de suicídios do ano, de pessoas que se sentem excluídas das comemorações mundanas, justamente quando a religião pede uma maior fraternidade, um maior amor. E há ainda os que aproveitam o feriado para abusar do álcool, ou para brigar com amigos e familiares por motivos mesquinhos, fúteis, até imaginários, num dia que deveria ser de perdão mútuo.
Tudo isso demonstra um total desprezo pelo espírito natalino, quando o que tínhamos de fazer é nos unir para celebrar o dia em que Deus ofereceu o Seu Filho como cordeiro para livrar essa insatisfeita humanidade dos pecados do mundo.
O Natal é (deveria ser), antes de tudo, um tempo de profundas reflexões, para que o nascimento de Cristo não tenha sido em vão, para que os povos e as pessoas se entendam e se confraternizem, para que o mundo se torne um lugar melhor, de paz, prosperidade e amor. Neste ano, dê aos seus filhos o melhor presente (no sentido total da palavra) possível : seja um exemplo, ensine-o a ser uma pessoa decente, honrada, fraterna, honesta, cristã. Porque isso ele levará pela vida toda. Feliz Natal!
O autor, José Buzelli Filho, é jornalista