Regional

Moradores encontram peixes mortos em trecho do rio Tietê

Lilian Grasiela com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Macatuba – Há pelo menos três dias, moradores que vivem às margens do rio Tietê, entre Macatuba (46 quilômetros de Bauru) e Pederneiras, vêm se deparando com uma situação atípica. Por razões desconhecidas, centenas de espécies de peixes estão aparecendo mortas na superfície do rio. Ontem pela manhã, a situação piorou e a vazão das comportas da barragem de Barra Bonita chegou a ser ampliada para melhorar os níveis de oxigenação da água.

Segundo o presidente da organização não-governamental (ONG) Mãe Natureza, Hélio Palmesan, a maior concentração de peixes mortos ocorreu nas proximidades do condomínio Pouso Alegre, em Macatuba, na margem esquerda do Tietê. “Nós navegamos de Barra Bonita até mais ou menos próximo à Usina Diamante (em Potunduva)”, conta.

Entre as espécies que, de acordo com ele, puderam ser avistadas boiando no trecho do rio estão centenas de sardinhões, tuviras, bagres, mandis e mandiúvas. O presidente da ONG estima que a quantidade de peixes mortos daria para encher aproximadamente 10 tambores com capacidade de 200 litros cada.

A baixa oxigenação da água foi apontada por Palmesan como uma das prováveis causas da mortandade. Ele revela que, numa situação de normalidade, o nível de oxigênio varia entre 4,5 e 5 miligramas por litro de água. “Hoje (ontem) de manhã, nós tivemos aqui um momento crítico. Estava 0,8 miligramas de oxigênio dissolvido por litro de água”, diz.

Para evitar que a morte dos peixes atingisse níveis alarmantes, a ONG solicitou à concessionária AES Tietê que aumentasse a vazão na barragem de Barra Bonita. Às 15h, nova medição apontou nível de 3,18 miligramas de oxigênio por litro de água. Na opinião do presidente da ONG, essa falta de oxigenação é causada pela poluição do rio na capital.

De acordo com ele, as chuvas que atingiram recentemente em São Paulo fizeram com que todo o esgoto concentrado no trecho do Tietê que corta a capital fosse trazido para a região. “A nossa região funciona como um termômetro do rio. É aqui que a gente nota os agravantes que a poluição da grande São Paulo provoca no rio”, analisa.

Para que a água volte a apresentar níveis normais de oxigênio, Palmesan só vê uma solução – a queda de fortes chuvas na região para que a calha do rio passe por uma ‘limpeza’. “O Tietê sobrevive graças às enchentes anuais que nós temos aqui. Chove bastante, renova-se toda a água do rio e ele respira por mais alguns meses”, afirma.

Outra hipótese apontada pelo presidente da ONG para a mortandade dos peixes são as altas temperaturas. Além dele, uma equipe da Polícia Militar Ambiental também esteve no local.

 

Casos recentes

No dia 30 de novembro, conforme divulgado pelo JC, uma quantidade significativa de peixes – entre eles cascudos, bagres, traíras e piaus – foi encontrada morta no rio Lençóis, na altura do distrito de Alfredo Guedes, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru).

No último dia 8, o fato voltou a ocorrer no mesmo trecho do rio. Desta vez, o que chamou a atenção dos moradores do distrito foi o cheiro forte de azedo exalado das águas do rio e quantidade de espuma na superfície. Nas duas situações, as causas das mortes não foram esclarecidas.

Comentários

Comentários