Quioshi Goto |
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Frutas da época podem substituir castanhas e afins |
Quem saiu às compras para a ceia de Natal este ano, sentiu no bolso o aumento no preço de produtos em relação a 2012. Itens tradicionais, como os frangos especiais, a carne de porco, castanhas e nozes puxaram a alta. É possível, porém, substituir alguns itens para conter os gastos e ainda adequar o banquete às altas temperaturas de dezembro.
Em razão da alta do dólar, os produtos importados foram os mais afetados. Gerente de Compras de uma rede de supermercados, Eduardo do Amaral diz que o preço das castanhas em geral e das nozes subiu entre 20% e 25%. A exceção ficou por conta da castanha do Pará, produzida na região norte do País.
A dona de casa Érica Cristina David Maggi notou a diferença, inclusive na forma com que esses produtos são oferecidos ao consumidor. Até o ano passado, ficavam dispostos para serem pesados depois de escolhidos pelos clientes. Neste ano, porém, estão divididos em porções pequenas, com peso padronizado. “Acredito que seja para não assustar muito”.
Apesar do rico valor nutricional das castanhas e afins, elas podem ser facilmente substituídas. De acordo com a nutricionista e professora doutora da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp, Sílvia Justina Papini, além de aliviar o bolso, a medida pode ajudar a quem não quer abusar das calorias. A principal dica são as frutas da época.
A especialista ressalta que as castanhas são ricas em antioxidantes, combatem o alto triglicérides e estimulam o ‘colesterol do bem’. Isso, porém, se consumidas em pequenas quantidades, pois também são extremamente calóricas. “O ideal é que se consuma três unidades, mas as pessoas, normalmente, não conseguem se controlar”, brinca.
Já as frutas podem ser consumidas com menos moderação e são ricas em outros nutrientes, principalmente, com vitaminas. “Duas fatias de abacaxi saciam muito mais do que duas castanhas”.
Além do abacaxi, ela cita outras frutas que podem ser utilizadas na ceia, como pêssego, uva, kiwi, manga e melancia. “Quando estão na época, essas frutas têm um valor nutricional ainda maior, pois não são cultivadas forçadamente”, explica a nutricionista.
Por fim, a profissional lembra que a ceia deve ser um momento de reunião familiar e não pretexto para que pessoas se empanturrem de comida. “Não é competição para saber quem come mais”.
Criatividade
Érica afirma que as frutas podem ser utilizadas tanto em pratos salgados, como nas farofas frias, quanto nos doces. “Aí dá para fugir do chocolate e daqueles cremes gordurosos, sem falar na maionese, que é bastante perigosa no calor”.
Segundo a nutricionista, as saladas coloridas, utilizando frutas, são ótimas dicas. “Além de saborosas, ficam muito bonitas. Com manga dá bastante certo”. Há também como utilizá-las em ‘raspadinhas naturais’
Mercado de luxo
Carlos Prando conta que, em sua loja, é oferecido amplo leque de opções para cestas de Natal. Os preços variam de R$ 39,00 a R$ 3.290,00. “A mais cara é uma cesta empresarial, normalmente dada de um empresário para o outro, um grande fornecedor, que impulsionou seus negócios. E essas cestas saem até o final do ano. Muita gente compra para retribuir presentes de Natal”, conta.
Ele conta que existe também a procura pelas castanhas portuguesas, vendidas apenas nesta época do ano, além de produtos, como uvas-passas ramificadas e encomendas de tábuas de frios. “O pessoal sempre investe mais também nas bebidas. Quem toma um whisky de oito anos, procura um de 12”, comenta.
Tradição
A culinarista e gestora do portal Bem Feitinho, Mariza Plácido, diz que, apesar do tempo quente, a tradição ainda impera quando o assunto e a escolha dos itens da ceia de Natal. “Já no Ano Novo, as pessoas preferem o churrasco, os petiscos, sorvetes e saladas”.
Ela afirma, porém, que é possível escolher alimentos mais baratos e garantir uma refeição saborosa e atraente. Veja, ao lado, uma das receitas indicadas por Mariza.
Há, no entanto, quem prefira fugir da ceia tradicional. Na tarde de ontem, por exemplo, a dona de casa Gláucia Bueno Giroldo, 44 anos, estava escolhendo legumes para maionese. O prato, porém, vai acompanhar o churrasco de Natal. “Lá em casa, é disso que o pessoal gosta”, conta.
Carne de porco e aves tiveram alta
Tradicionais pratos em ceias de Natal, os cortes de carne de porco e as aves tradicionais no Natal, como os frangos especiais e o peru, sofreram alta de 15% a 20% nos preços, em comparação ao ano passado. O gerente de Compras Eduardo do Amaral explica que, apesar de produzidos no País, esses animais são criados com alimentação à base de grãos, que também ficaram mais caros, influenciando no valor ao consumidor.
Érica Cristina relata que, em 2011, comprou um chester por R$ 32,00. Neste ano, a ave custou R$ 44,00. O engenheiro José Antonio Pinheiro, de 52 anos, também notou a diferença no preço do peru e do lombo. “Deu para notar, mas não é coisa que a gente compra todos os dias. É uma vez por ano. Então, não tem como evitar”, explica.
A nutricionista Sílvia Justina Papini ressalta que as carnes brancas e magras, como das aves, são mais aconselháveis do que as de porco, mais gordurosas.
Já outros produtos, em razão da grande concorrência, mantiveram os mesmos preços do ano passado. É o caso do panetone, que, em alguns locais, ficou até mais barato.
Bacalhau é opção
Outro prato tradicional é o bacalhau. Apesar de ser considerado mais sofisticado, Amaral diz que a rede de supermercados a qual representa conseguiu negociar a compra do produto diretamente com os exportadores e o preço ao consumidor caiu 10%. O quilo do bacalhau do Porto, por exemplo, sai a R$ 39,90. Segundo ele, o mesmo ocorreu com as azeitonas.
“No mês de dezembro, a venda do bacalhau aumenta 10 vezes e só perde para a Páscoa. Em nove lojas, são 15 mil quilos vendidos no mês de dezembro”, conta
Proprietário da Comprando, Carlos Prando confirma a alta procura pelo produto. Segundo ele, o aumento nas vendas chega a 50% em relação a outros períodos do ano. A professora Alice Tanaka, 64 anos, diz que, em sua família, a ceia é comemorada com bacalhau e vinho. “Nós não gostamos muito de carne vermelha e o bacalhau é muito mais saudável”.
