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Competitividade

Antonio Delfim Netto
| Tempo de leitura: 3 min

Antes de falar da economia, quero dirigir aos leitores desses meus comentários semanais os Votos de um Feliz Natal e Boas Festas neste final de 2012, desejando a todos e suas famílias muita saúde e prosperidade no novo ano de 2013. Devo retornar a este generoso espaço no terceiro final de semana de janeiro. Embora tenhamos chegado ao mês de dezembro decepcionados com o crescimento do PIB, 2012 está longe de poder ser considerado um "ano perdido" em termos econômicos. Tivemos avanços importantes, que estão mudando a feição da economia brasileira, com a redução persistente das taxas de juro e a correção da taxa de câmbio.

A inflação ficou dentro daquilo que era esperado, o nível de emprego continua alto, sustentando a renda dos trabalhadores, aumentou a inclusão social e se reduziram as desigualdades na distribuição de renda entre pessoas e regiões. Olhando-se a economia em 2012, num balanço equilibrado, correto, não foi o ano que todos gostaríamos, mas manteve a perspectiva de que teremos crescimento em 2013. Se observarmos o que continua acontecendo em matéria de perdas econômicas em todo o planeta, podemos aceitar que foi um ano ainda bom para o Brasil, um ano de preparação para um maior crescimento nos anos vindouros.

Nos discursos que proferiu em sua recente viagem à Europa, com passagens em París e Moscou, a presidente Dilma Rousseff foi muito objetiva exatamente quando falou das dificuldades que a sociedade brasileira terá que superar para elevar a produtividade da economia. Os principais desafios são aumentar a competitividade e fazer crescer a taxa de investimento no Brasil ? disse ela ? acrescentando que "o nó górdio que temos de desatar é o problema do gargalo que existe nos setores de infraestrutura" e isso se fará com os programas de concessões para que o setor privado cuide da ampliação e administração dos transportes rodoviários, aeroportuários e das instalações portuárias em geral.

Antes de criticar erros de previsões sobre a economia em 2012, é preciso lembrar sempre que o Brasil foi um dos primeiros países a reagir e que melhor se comportou diante da crise desde 2008. Conseguiu sustentar o crescimento durante um bom período. Tivemos queda em 2009 e em 2010, sem entrar em recessão como aconteceu em tantas regiões do globo. Na verdade, o sucesso foi de tal ordem que nos obrigou a adotar uma política monetária mais restritiva diante da forte pressão inflacionária no final de 2011 e início de 2012, o que prejudicou nosso crescimento, sem dúvida.

Poderíamos ter tido uma performance melhor este ano se não tivéssemos demorado tanto a nos reaproximar do setor privado de forma mais cordial para estimular os investimentos. Esta é uma relação que está mudando na direção certa, de cooptação dos empresários para os programas de leilões em setores vitais como o aeroportuário e com o retorno ao planejamento de toda a logística de transportes que passou anos despreciada pelo poder público. No balanço de 2012 é preciso realçar especialmente os grandes feitos que foram a queda persistente da taxa de juros e a melhora do câmbio nominal que causava enormes prejuízos a todo setor manufatureiro. O que virá por aí, agora, depende muito do crescimento dos investimentos.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC

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