Internacional

Vice-presidente do Egito renuncia

Agências
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Cairo - O vice-presidente do Egito, Mahmoud Mekky, renunciou a seu cargo, disse uma fonte presidencial ontem, sem oferecer qualquer motivo.

A fonte afirmou que o porta-voz da Presidência vai emitir um comunicado em breve. Mekky assumiu um papel de liderança na organização das reuniões de “unidade nacional” solicitadas pelo presidente Mohamed Mursi, embora os principais políticos da oposição tenham se mantido afastados.

 

Constituição

Os egípcios votaram, ontem, no segundo turno da votação da constituição elaborada pelos islâmicos que, segundo opositores, irá aprofundar os tumultos na nação árabe mais populosa do mundo.

Os apoiadores islâmicos do presidente Mohamed Mursi, eleito em junho, dizem que a nova carta é vital para democratizar o Egito dois anos depois da deposição de Hosni Mubarak em um levante popular, e que ajudará a restaurar a estabilidade necessária para consertar a combalida economia do país.

Mas a oposição afirma que o documento cria divisões e acusa Mursi de impor um texto que favorece seus aliados islâmicos e ignora os direitos do cristãos, que somam cerca de dez por cento da população, e das mulheres.

À medida que as urnas eram abertas no ontem, uma coalizão de grupos de direitos humanos egípcios relatava uma série de irregularidades.

Eles disseram que alguns postos de votação abriram tarde, que islâmicos exortando o voto pelo ‘sim’ fizeram campanha ilegal em alguns deles e relataram irregularidades nos registros de alguns eleitores, como a inclusão de uma pessoa morta.

O primeiro turno do pleito, na semana passada, resultou em 57% de votos favoráveis à constituição, de acordo com cifras não-oficiais.

Analistas esperavam mais um ‘sim’ ontem, porque o voto encampa áreas rurais e outras áreas que teriam mais simpatizantes islâmicos. Os islâmicos também podem contar com muitos egípcios exaustos de dois anos de tumultos.

As urnas abriram às 8h locais (4h no horário de Brasília) e fecham às 23h (19h em Brasília), depois que o país estendeu em quatro horas o período da votação.

Na manhã de ontem, antes da abertura dos locais de votação, já se formavam filas nos 17 distritos que ainda não participaram do referendo, entre eles Giza, próximo do Cairo, e Luxor (no sul).

Ao contrário do que ocorreu na véspera da votação, ontem, quando grupos islamitas pró-governo e opositores se enfrentaram em Alexandria, deixando pelo menos 42 feridos, o dia foi calmo hoje nos distritos onde houve votação, sem registro de ações violentas.

A primeira parte do referendo foi realizada no sábado anterior (15) em dez distritos, incluindo Cairo e Alexandria, as duas maiores cidades do país. Segundo dados oficiais, o “sim” teria recebido cerca de 56,5% dos votos, número contestado pela oposição e por organizações de direitos humanos, que questionam a lisura do processo.

O Movimento 6 de Abril apontou hoje várias irregularidades supostamente cometidas por grupos islamitas durante a segunda parte do referendo constitucional.

Um dos porta-vozes do grupo, Mohamed Adel, disse que houve várias infrações cometidas por membros da Irmandade Muçulmana, como a distribuição de comida a eleitores que votaram no “sim”.

Em comunicado, o movimento acusa os partidários do presidente Mursi de fretarem ônibus para transportar eleitores ao locais de votação.

 

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