Há muita gente procurando seguir profissões que aparentemente representam apenas satisfação pessoal, sem levar em conta informações gerais sobre a área escolhida, histórico de mercado e pessoal, habilidades e custo-benefício da preparação profissional. A avaliação é de Juliana Almeida Dutra, especialista em marketing e gestão de pessoas e diretora de projetos da Deep – Desenvolvimento e Envolvimento Estratégico de Pessoas e Clientes.
Segundo ela, o mercado de trabalho está exigindo cada vez mais jovens preparados e antenados com os acontecimentos do mundo. A ansiedade prematura, gerada pelo desejo de atingir metas a curto prazo, com o objetivo de chegar ao topo, tem levado jovens a buscar profissões que estão em evidência sem avaliar as implicações de investir tempo e dinheiro sem construir um histórico profissional, que é a base para uma carreira sólida.
“Vejo que os jovens estão escolhendo algumas carreiras sem medir os riscos que elas representam, veem apenas os pontos fortes e não analisam suas escolhas. Acredito que não estão analisando o peso do início, que não é fácil. Carreiras como estas (gastronomia, publicidade, jornalismo, filosofia, moda e design de interiores, por exemplo) demandam muito investimento financeiro e tempo para se qualificar e alcançar as posições que eles esperam.”
Na opinião da especialista, o que os jovens precisam é começar a construir seu histórico profissional, acumular subsídios e experiências profissionais, seja em qual área estiverem atuando, que possam prepará-lo para os desafios do mercado. “Precisam entender o custo – financeiro e de dedicação - de se chegar onde deseja e avaliar se estão dispostos a isso”, analisa.
Ela lembra que é comum vermos jovens que querem focar na sua vida pessoal e na família, mas que dizem querer uma carreira que exige dedicação forte. “É importante entender que a carreira escolhida deve estar alinhada ao tipo de vida que deseja levar”, recomenda.
Se é uma vida centrada na família, na qual se trabalhe menos e se consiga cuidar dos filhos e ter tempo livre para lazer frequente; ou uma carreira focada no desenvolvimento profissional, onde a dedicação ao trabalho, aos estudos e à qualificação será grande; ou ainda uma vida focada no prazer de viajar, viver no mundo buscando aprendizado de idiomas, viajando e trabalhando fora. Estas escolhas estão relacionadas com o que se deseja como resultado para a vida e como resultado para sua carreira e, em muitos momentos, se não em todos, elas se cruzam. “A jornada é o mais importante. Não devemos nos preocupar com o topo, mas com o caminho. E os jovens, por toda essa pressão e competitividade, acabam valorizando o objetivo final.”
Juliana ressalta grande parte da responsabilidade por este comportamento recorrente é da educação. “O sistema educacional no País não é o que se pode chamar de uma boa base preparatória para que os jovens possam escolher sua carreira.”
Para a especialista, a qualidade da educação formal prejudica no momento da busca pela carreira a seguir e na hora de fazer uma entrevista. A base cultural e teórica sobre assuntos básicos como língua portuguesa e matemática, segundo ela, é muito fraca e grande parte dos alunos saem das escolas escrevendo mal, com baixo potencial de raciocínio lógico e com uma bagagem de cultura geral e capacidade de decisão ruim. Baseados em suas atividades e gostos pessoais atuais, jovens escolhem suas carreiras levando em conta apenas o pouco conhecimento que possuem do mercado”, pondera.
Por isso, ao escolher sua carreira, o que acontece é que muitos jovens se sentem perdidos e acabam, ou fazendo uma lista de temas que desejam seguir pelo que ouvem, veem ou pensam que seria uma carreira “legal”, ou escolhem algo que esteja já em situação não tão propícia no mercado e que eles mesmos não tenham histórico algum relacionado ao tema.