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A verdadeira magia do final do ano

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 6 min

JC

"Ser feliz não é um estado, é um momento", diz os ilusionistas Átila e Rosi

Final de ano. É tempo de renovação, planos e, sim, clichês. Dentro deles, inclusive, reportagens temáticas especiais. Na TV, jornal, internet...Na falta de pautas tradicionais do dia a dia (já que quase todo mundo está em recesso), o que não falta é matéria sobre espírito natalino, sorte no ano novo, etc.

Porém, mesmo em meio aos clichês, podemos tirar algo que, efetivamente, faça diferença na vida da gente no período que se inicia. É aí que habita a tal mágica, seja do Natal ou do ano novo.

Sucesso na vida profissional, familiar ou amorosa, para especialistas em treinamento e motivação pessoal, depende de uma ferramenta primordial. Nosso cérebro.

André Petraglia faz da mágica um dos principais instrumentos das palestras motivacionais que promove Brasil afora. Os truques auxiliam nos treinamentos.

Contudo, observa ele, muita gente quer mudança num estalar de dedos, acreditando que as melhorias necessárias na vida caem do céu, como num literal passe de mágica.

“Noto olhares de esperança, ávidos por palavras mágicas que poderão mudar suas vidas. Também há olhares atentos, que registram cada pensamento ou palavra para posteriormente aplica-los de forma prática. Há olhares desconfiados, com pés atrás. Mas há quem observa com fé e otimismo, com compreensão da mensagem e desejo de aproximação, demonstrando perfeita sinergia, querendo somar e fazer parte desse novo universo”, diferencia.

Petraglia também nota a tristeza. Sim, ela está presente e não pode passar despercebida. É a amargura de quem teve as aspirações desfeitas.

“Aqueles cujos sonhos foram despedaçados, que parecem apenas lembranças distantes de um tempo e de oportunidades que não voltam jamais”, descreve.

Em meio a esse intenso cruzamento de olhares, ele diz enxergar, em cada espectador, pessoas que trabalham, lutam, sofrem, sonham, choram, sorriem...”Percebo a vida seguindo seu fluxo, a importância do meu, do nosso papel como seres humanos”, conceitua. O papel, sintetiza: “viver”.

Mas cumprir essa “função”, plenamente, diferencia o motivador, é fazer de todos os sentimentos que invadem os corações e mentes, especialmente, nos dias compreendidos entre o Natal e a virada do ano, algo ainda maior, para ser vivido a cada dia, durante todos os 365 dias.

A postura

A chave para essa postura integral, observa ele, é manter, sempre, a postura de aprendiz, por mais conhecimento adquirido. Especialmente nos dias entre o final de um ano e início de outro, virtudes como amor, bondade, companheirismo e amizade devem ser exercitados  e continuar em prática durante o novo ciclo.

“Temos uma missão maior de compartilhar nossas vidas em toda sua plenitude como eternos aprendizes, capazes também de ensinar, de pegar alguém pela mão e de mostrar o caminho”, ilustra.

“O Natal do amor e da bondade, do companheirismo e da amizade, o Natal da fé em si mesmo e em algo maior que nos reúne em comunhão com o universo. Este Natal que deveria ser vivido a cada dia e não apenas na saturação das festas do final do ano”, diferencia.

Felicidade

Muitos se enganam  --  e se frustram – na busca da felicidade plena. É um sentimento sa, assim como tristeza, angústia, etc. “Ser feliz não é um estado, é um momento. Jamais se conseguirá ser feliz o tempo todo, a vida inteira. O momento da felicidade passa, assim como o momento da angústia, raiva, alegria e tristeza”, pontua Átila.

Além disso, o conceito é relativo. “Para uma mãe, um momento de felicidade pode ser uma visita inesperada do filhão para o café da manhã. Para uma criança abastada, pode ser ganhar o novo ‘iPad 9’, ainda não lançaram, mas ela já ganhou”, descontrai. “Para uma criança miserável, pode ser provar um panetone pela primeira vez”, exemplifica.

Ser feliz, sintetiza, é a somatória dos momentos de felicidade que se tem na vida. “Esses momentos são gerados por suas expectativas que derivam das experiências. Quando de coloca peso demais nas expectativas, obtêm-se menos momentos de felicidade. Quando se dá peso real a eles, temos muito mais momentos de felicidade”, diferencia ele, citando Mario Quintana.

“Quantas vezes a gente, em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura tendo-os na ponta do nariz”, parafraseia.

Otimismo

Desde que nascemos, nosso cérebro é abastecido com dados, vindos de nossas experiências, salienta Átila. Desta forma, tanto situações de “sim” quanto de “não” se misturam em nossa mente.

Entretanto, diferencia, a mente assimila e projeta, com maior intensidade, as experiências negativas. “Não se culpe, o cérebro não faz isso por agir contra você. Na realidade, é um mecanismo de proteção”, diferencia. “A soma das experiências negativas do passado bloqueia suas possíveis experiências positivas do presente”, argumenta.

Desta forma, observa, o primeiro passo é procurar, na medida do possível, estar longe de tudo o que é negativo. “Pessimistas, chorões, reclamões, pessoas que somatizam problemas, depressivos, hipocondríacos, neuróticos, viciados, programas de TV que insistem em mostrar desgraças. Fuja de ambientes depressivos, não leia nada sensacionalista”, orienta.

Muitas vezes, porém, é muito difícil, ou quase impossível, nos afastarmos completamente. Desta forma, discerne Átila, o segredo é o equilíbrio. “Lembre-se de todas as coisas positivas e agradáveis pelas quais passou e que puder lembrar. Escreva todas elas, liste suas suas vitórias, momentos de alegria e superação. Faça isso diariamente. Coloque as anotações e cartazes em locais visíveis, ponha fotos destes momentos em sua tela de descanso. Você abastecerá o cérebro, relembrando de que ele tem um lado positivo, para se opor ao negativo e equilibrar sua decisão diante de uma nova experiência onde será necessário ser otimista e agir para vencer”, incentiva.

O ano todo, passo a passo

Para atingirmos nossas metas individuais, consultores ouvidos pelo JC elencam algumas virtudes a serem planejadas, agora, e seguidas em 2013.

Assim como André Petraglia, Átila Quaggio Coneglian e Rosimeire Marques Coneglian – mais conhecidos como a dupla Átila e Rosi –, protagonizam shows de motivação através de palestras que despertam potencialidades, muitas vezes, camufladas pela rotina.

A pedido do JC, os consultores pontuaram sobre diversos temas, que podem fazer a diferença para quem os seguir em 2013.

Contudo, observam Átila e Rosi, nada acontece num passe de mágica. “Em tudo existe um processo de desenvolvimento, até atingir a meta desejada”, ressalva Rosimeire.

Amor

Em tempos de renovação e esperança, pondera Rosi, o sentimento tem de ser valorizado. “Para isto, enxergar as qualidades para aprender a amar é essencial. Quando um mau sentimento nos desestrutura, isto abala nossas emoções e se multiplica assustadoramente. Esta doença vai aos poucos corroendo-nos por dentro e, se não a combatermos, nos aniquila”, completa ela.

“Amar é aprender a enxergar qualidades”, ensina. “Perdemos as pessoas que amamos quando deixamos de enxergar as suas qualidades”, relaciona.

Bondade

A caridade é inerente à época. Contudo, as qualidades precisam estar presente independentemente ao período. “Buscamos ser mais caridosos e solidários, mas esta busca em nossa vida deve ser uma atitude constante”, observa Rosi.

Companheirismo

Na correria cotidiana, lembra a motivadora, esquecemos de olhar ao redor e nos voltamos aos próximos problemas, exclusivamente. Especialmente nesta época, salienta, os laços podem ser ainda mais reforçados. “O momento de confraternização nos tonifica e nos auxilia a iniciar um ano com mais vigor e união”, comenta.

Devoção

Fé é força motriz para tudo o que buscamos. Independentemente ao dogma, ela é alimento de nossa alma nas batalhas diárias. “Devemos acreditar e ter a certeza de que atingiremos desejos. Precisamos crer sempre que somos merecedores de felicidade e confiar nos ideais que apostamos para nossa felicidade”, aponta. “A dedicação a algo espiritualizado eleva nossa mente a um sentimento de segurança na busca da paz interior”, completa.

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