São Paulo - O aumento da População Economicamente Ativa (PEA) e da ocupada em novembro, ante igual mês do ano passado, é um indicativo favorável de que a recuperação do crescimento da economia está refletindo no mercado de trabalho. A opinião é do economista-chefe da Mauá Sekular, Rodrigo Melo.
“Quando a economia está em processo de retomada, a PEA e a população ocupada tendem a crescer mais fortemente. Isso ajuda o desemprego a não cair tão rapidamente, trabalha como uma espécie de amortecedor da variação (do desemprego)”, disse, referindo-se ao aumento de 2,5% da PEA e à alta de 2,8% da população ocupada em novembro frente a um ano antes, como informou na última sexta-feira (21) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego, por sua vez, ficou em 4,9% no penúltimo mês de 2011.
“A taxa (de desemprego) mostrou ligeira melhora. O dado da população ocupada está em sintonia com alguma melhora que tem mostrado a atividade. Tem sinais mais favoráveis da economia pegando no mercado de trabalho”, reforçou.
O economista Rodrigo Melo também ressalta que, como a inflação está acelerando e tende a ficar mais elevada no começo do ano, a tendência é que o rendimento dos trabalhadores diminua. “Como temos uma trajetória pior da inflação, a expectativa é de que isso afete o rendimento real, que pode desacelerar.”
De acordo com o IBGE, em novembro, o rendimento médio real dos trabalhadores subiu 0,8% na comparação com outubro e avançou 5,3% frente a novembro de 2011.
PIB
O Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, divulgado na semana passada pelo Banco Central (BC), aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% no quarto trimestre deste ano e de 3,3% no terceiro trimestre de 2013, em termos anualizados. É a leitura do documento feita pelo diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octávio de Barros.
Essas taxas, de acordo com ele, embutem algo entre 1% e 1,1% de alta na margem no quarto trimestre deste ano e uma alta média trimestral de 1,1% ao longo de 2013. “Mesmo não revelando a estimativa do PIB fechado de 2013, se a taxa implícita de 1,1% se mantiver no quarto trimestre de 2013, o PIB no ano que vem fecharia em 3,9%”, prevê Octávio de Barros.
Segundo o diretor do Bradesco, Octávio de Barros, o documento do BC também estima o investimento crescendo na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) a uma taxa de 3% no quarto trimestre de 2012 e o consumo das famílias em alta de 1%.
“Poderíamos assim dizer que o RI (relatório de Inflação) tem um tom relativamente hawkish (duro) na medida em que virtualmente descarta novas rodadas de redução de juros e mostra uma visão bastante construtiva da atividade econômica no ano que vem”, diz o diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octávio de Barros.