Decepcionada com o crescimento abaixo do esperado nos países emergentes, a Embraer espera crescimento significativo nos mercado norte-americano de aviação civil no ano que vem.
A alta deve vir não só do reaquecimento da economia dos EUA, mas da mudança que permite a companhias regionais terem aeronaves com mais de 50 anos. São os EUA o principal foco da companhia para o ano que vem.
A companhia já é líder, com 43%, do mercado de aviões com 60 a 120 lugares e acredita que deverá manter a posição, em parte também com encomendas para o Leste Europeu.
Apesar do dinamismo americano, a fabricante brasileira espera estabilização ou queda na área de aviação civil. Não prevê, no entanto, diminuição da força de trabalho, uma vez que a redução nessa área deve ser compensada e até superada pelo crescimento nos setores de aviação executiva e de defesa.
Os prognósticos foram apresentados em almoço de final de ano, em São Paulo.
Defesa e segurança
Para o ano que vem, ela espera estar lançando o primeiro jato Legacy produzido na nova fábrica da China. A aviação executiva é hoje o segundo negócio da empresa --a Embraer tem cerca de cem jatos voando no país--, mas o setor de defesa e segurança tem crescido mais rapidamente, provocando uma "concorrência interna saudável", segundo a direção.
O setor passou de 4% das receitas da corporação para 15% e a empresa acredita que há potencial para crescer mais.
Considerada estratégica do ponto de vista de diversificação, a área tem crescimento esperado de 15% no próximo ano. A empresa tem dois grandes projetos no segmento de defesa: o cargueiro militar KC-390 e o desenvolvimento de sistemas terrestres de defesa.
O KC-390 deve chegar ao mercado também no ano que vem. As primeiras unidades --em torno de 28-- serão usadas pela Força Aérea do Brasil. Há no total 60 cartas de intenção, de diferentes países.
Segundo a Embraer, o mercado de cargueiros militares é promissor, porque a maioria dos países usa hoje aviões da Lokheed que já tem muito tempo em atividade e precisarão ser substituídos. O KC-390, com capacidade para mais de 20 toneladas (o peso de cinco elefantes adultos), deve concorrer com o Hercules, da concorrente.
Perguntada sobre a possibilidade entrar também no mercado de barcos, a empresa disse que seria tecnicamente viável, já que são veículos menos complexos que aviões, e que, na área de defesa, não se descarta nenhuma possibilidade.
Engenharia
Outro investimento estratégico da Embraer será na área de pesquisa e desenvolvimento. A companhia abriu neste ano uma empresa de engenharia em Belo Horizonte, num polo de tecnologia que tem a participação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
A unidade começa a trabalhar com cem engenheiros. Um segundo novo escritório, na Flórida (EUA), terá 200 engenheiros.