Política

Lara sai e cumpre gestão tampão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Em entrevista veiculada ontem pela Rádio Auri-Verde, ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não teve como escapar da já esperada saída de Fábio Lara da presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Mesmo sem querer “estragar” o Natal de nenhum dos seus colaboradores de governo, o prefeito não tinha como confirmar a indigesta permanência de Lara na autarquia. 

Fábio Lara foi o quarto presidente na gestão Rodrigo a assumir o DAE por indicação do Partido da República (PR), do secretário de Saúde Fernando Monti. E mesmo o partido tendo sido infeliz em todas as indicações (que foram abonadas por Rodrigo), deve permanecer com o comando político do DAE no segundo mandato.

O contrato de R$ 117 milhões para a instalação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) não deixa dúvidas de que o PR não tem o menor interesse em “largar o filé” nesta altura do campeonato. Em 2013, o governo espera receber a confirmação do repasse de R$ 90 milhões a fundo perdido para o saneamento. A amarração em torno da vinda da verba desperta interesses de toda natureza.

Rodrigo se esquiva e diz que anunciará as modificações do seu secretariado até o final desta semana, mas não esconde que Fábio Lara só ficou até agora para “completar o mandato”. “Não falei nada de novo. Falei que as mudanças vão acontecer. Uma das mudanças que a gente está trabalhando é no DAE”, comenta.

O prefeito seguiu, entretanto, seu estilo de tentar defender o colaborador, mesmo esto tendo submetido a processo de fritura pelo próprio prefeito, que nomeou até uma Comissão de Diagnóstico à revelia da vontade de Lara para “resolver os problemas do DAE”, no meio do ano. Ele saiu em defesa de Lara assumindo problemas e avanços na da autarquia. “Se por um lado o DAE passou por crises, por outro lado o DAE nunca produziu tanto. Foram sete poços perfurados neste ano e houve uma ampliação considerável na rede de água e na de interceptores. Mas o DAE havia apresentando resultados insatisfatórios e mudanças vão acontecer”, esclareceu.

 

Rito de passagem

A reportagem não conseguiu contatar Lara por telefone ontem. A situação de Fábio Lara no comando do DAE nunca foi confortável, porém ficou insustentável quando Rodrigo nomeou, no início de maio deste ano, a comissão de diagnóstico e de monitoramento, presidida pelo chefe de gabinete Giasone Albuquerque Candia.

A comissão foi um sinal claro do Palácio das Cerejeiras de que havia vencido o prazo para Fábio Lara reorganizar o DAE. Porém o processo eleitoral que levaria Rodrigo a ser reeleito já havia iniciado e uma nova troca de comando na autarquia representava munição para os seus adversários políticos.

O administrador de empresas Fábio Lara assumiu a autarquia no dia 5 de janeiro no lugar de André Andreoli, também fritado no bastidor (mas neste caso em muito por não concordar com interferências de empreendedores nos destinos dos projetos internos). Até então, Lara integrava o Conselho de Administração da Emdurb e era vice-presidente do Aeroclube de Bauru. Antes de Andreoli dirigiram a autarquia Paulo Campanha e Rafael de Almeida Ribeiro. Todas essas pessoas são ligadas ao PR, partido que não tinha sequer representação na Câmara Municipal de Bauru. Carlão do Gás era interino de Batata. Nessa insegurança administrativa, o DAE acabou loteado pela administração e vários grupos iniciaram uma disputa interna para comandar a autarquia. No Debate promovido pela TV Preve e o JC, em outubro deste ano, Rodrigo Agostinho declarou que, se reeleito, tiraria o comando do DAE das mãos de partidos. Dessa maneira, o prefeito assumiu o erro político durante quatro anos na autarquia. Mas agora não há nenhum indicativo de que vá fazer o que afirmou. E não será a primeira vez que uma afirmativa do prefeito será desconsiderada por sua própria prática política.

Modificar o DAE é uma constante nas falas de Rodrigo, que quando diplomado na semana passada elencou entre suas cinco prioridades o tratamento de esgoto e PCCS da autarquia, que deve ter projeto encaminhado à Câmara Municipal de Bauru já no início do ano, segundo ele afirmou.

 

A crise noticiada pelo JC

Abril de 2009 – DAE recua e suspende licitação

Dezembro de 2010 – DAE paga peixes sem saber quantidade

Setembro de 2011 – DAE paga o dobro pelo litro de leite

Fevereiro de 2012 – Diretor do DAE: ‘Era sensível, agora é crise’

Março – DAE nega compras com valor acima do preço de mercado

Abril – Compra de cloro fica 20% mais cara com emergência

Maio – DAE agora falha na compra de soda

Junho – DAE oculta erro e licitação de R$ 18 milhões

DAE ‘coleciona’ máquinas quebradas

Julho – Servidores do DAE trabalham sem equipamentos

Setembro – Drama da água seguirá por 45 dias

Outubro – Governo fala em sabotagem na quebra de adutora

Novembro – DAE compra veículos com defeito

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