Cultura

Mistura fina

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine clássicos do rock em uma linha meio bossa nova, meio samba-rock. Quem arrisca fazer essas misturas de estilos é a paulistana Lucy Campos, de 30 anos. A cantora acaba de lançar “Black Brick Road”, álbum que faz tributo ao rock e ao heavy metal, com sucessos de todos os tempos em versões acústicas. Os arranjos são do músico Sérgio Murilo. Com lançamento pela Wet Music, o CD integra o projeto nomeado “Dressing Rock”.

“Black Brick Road” estreia com 13 canções, sendo “Out Tonight” autoral e inédita, e de acordo com Lucy, a escolha do repertório foi “orgânica”.  Em destaque, estão também as canções “Painkiller”, “Smoke on the Water”, “Rock n’ Roll” e “Rainbow in the Dark e Changes”.

Lucy Campos e sua voz afinada, ora suave, ora com uma pegada rock ‘n’ roll, somada aos arranjos do profissional, traz ao projeto sonoridade original e interpretações únicas, dignos de arrancar elogios dos headbangers mais radicais. As canções “Highway to Hell”, do AC/DC, “Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd ou “Welcome to The Jungle”, do Guns n’ Roses, trazem algo bem diferente aos acostumados ao ‘Bossa N’ Roll’.

Em entrevista ao JC Cultura, Lucy conta como é fazer releituras de clássicos do rock em versão acústica. “Dá um medinho, pois o público do rock é meio radical. Por exemplo, em uma música da banda Judas Priest, que é uma música pesada e bem heavy metal, quando nos surgiu a ideia de fazer um arranjo na linha meio bossa, meio samba-rock, pensei – ‘ou vão amar ou vão odiar’. Mas a gente testou esse trabalho e o pessoal gostou muito, o feedback do público foi legal; pelo menos quem não gostou não se manifestou”, ressaltou a cantora. “Tudo é muito misturado com jazz, blues, com bossa nova, tem também uma pegada muito forte de country”, salienta.

Fusões

Ela conta que acha válido fazer mistura/fusões entre diferentes sonoridades e ritmos. “Hoje em dia, se faz mais singles do que álbuns. Antigamente, você tinha muito mais tempo pra fazer as coisas, tinha muito mais respaldo das gravadoras. Mas, atualmente, as gravadoras ficam em segundo plano, por conta mesmo da Internet. Então, ao invés de fazer um CD inteiro todo de um estilo só, vale produzir várias músicas como releituras, cada uma com um estilo”, explica.

Lucy diz ainda que, para achar seu som, é preciso estar aberto a diferentes experiências musicais. “É meu primeiro disco e estou experimentando, e acho que pra você achar seu som, tem que experimentar sempre, por isso gosto de manter a cabeça aberta, gosto de pesquisar as coisas”, indicou.

O trabalho é ainda uma volta às suas raízes, aponta Lucy. “Comecei tocando bateria e depois fui ser cantora. Cantei pop rock, umas coisas diferentes, e quando chegou a hora de lançar um  CD e fazer um trabalho meu, achei que tinha tudo a ver voltar às minhas raízes, o rock”, ressaltou.

 

Mais Sobre Lucy Campos

Lucy Campos começou tocando bateria aos 12 anos. Tocou em diversas bandas covers, principalmente de rock e heavy metal, como Metallica, Megadeth, Iron Maiden e Deep Purple. Gravou música própria com a banda ‘Bula’, formada apenas de garotas. Ela também fez backing vocals para as bandas em que tocava. Se formou em canto no conservatório ‘Souza Lima’ e cursou  Music Business no Musician’s Institute, em Los Angeles.

No currículo da cantora estão também apresentações, ainda como backing, no evento ‘Anime Friends’, com mais de cinco mil pessoas. Em 2008, montou a banda ‘Violet’, de música autoral na qual compôs, gravou e lançou o EP chamado “Um Olhar no Espelho”.

Lucy também estudou técnicas de composição, arranjo, harmonização e improviso para cantores. E de volta à suas raízes, ela está lançando com releituras de rock’n’roll e heavy metal ‘Dressing Rock’, seu primeiro CD  intitulado ‘Black Brick Road’, pela Wet Music. Site oficial: http://www.dressingrock.com.br.

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