Éder Azevedo |
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Garotos de todas as idades se arriscavam na tarde de Natal com a brincadeira ao ar livre
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“Se alguém vier proibir soltar pipa aqui, a gente vai atrás de vocês”. Essa frase foi dirigida à equipe de reportagem do Jornal da Cidade na tarde de ontem. O autor? Um garoto de 6 anos, que brincava, junto a um grande grupo de meninos, à beira da avenida Nações Unidas Norte.
Como tantos outros, ele parece não ter consciência do perigo que corre, mesmo diante de recentes tragédias, como a morte de C. H. de O., de 10 anos, no último sábado, que foi atropelado no quilômetro 351 da rodovia Bauru-Marília enquanto atravessava a via para resgatar uma pipa.
Os riscos não se limitam, porém, às rodovias. Como já dito acima, avenidas e outras vias próximas a bairros sem estrutura de lazer são cenários frequentes para as pipas no céu.
A grande concentração de meninos na Nações Norte, por exemplo, está na altura da Vila Garcia. No local existe um grande vazio de terra em que crianças empinam pipa com um pouco mais de segurança. No entanto, algumas insistem em se arriscarem. “Eu estava lá com todo mundo. Vim aqui só rapidinho para pegar uma pipa que caiu”, contou um menino de 12 anos.
Outro, já aos 17 anos, diz ter consciência dos riscos, mas afirma não ter medo. Ele, aliás, já presenciou acidentes provocados pela brincadeira nas margens da avenida. “Já vi uma pá de acidentes. Já vi atropelamento e também pescoço cortado por cerol. Mas eu prefiro aqui porque é melhor para pegar”, relata.
Aviso à polícia
Comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), de Bauru, o tenente-coronel Nelson Garcia Filho diz que as equipes de bases regionais da PM podem agir orientando crianças e jovens a saírem dos locais de perigo. “Normalmente, isso acontece com tranquilidade e eles vão embora”, conta.
Para isso, Garcia diz que precisa que a população avise a PM quando se deparar com situações desse tipo. “É preciso ligar no 190 para que os policiais da base da região se desloquem até o local”.
O tenente-coronel lembra ainda que os pais ou responsáveis monitorem onde estão e onde brincam as crianças.
Risco à vida alheia
O problema das pipas às margens das rodovias e avenidas não se limita ao risco de atropelamentos. O uso do cerol ainda é frequente e coloca em perigo de morte, principalmente, os motociclistas. Em agosto de 2011, o JC publicou ampla reportagem sobre a situação.
Na tarde de Natal, um jovem de 16 anos admitiu o uso de cerol na linha da pipa. “Coloco só mais pra cima para ajudar a cortar”, disse, tentando amenizar. De acordo com o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, nesses casos, a necessidade do aviso à polícia é ainda mais emergencial.
