Tribuna do Leitor

Obrigado, Márcio ABC e George Vidal


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Depois de um ano sem aparecer nesta ilustre Tribuna do Leitor do JC, retorno para agradecer a dois grandes amigos que escreveram textos maravilhosos a meu respeito, tenho certeza absoluta: Não mereço! Frank Sinatra, em "My Way", canta: "E agora, que o fim está perto, encaro o meu pano caindo... Fiz o que tinha de fazer e revi tudo... Encarei tudo e me mantive de pé. E fiz do meu jeito. Amei, ri e chorei... Tive meus ganhos, perdi a maioria das vezes... Mas a história mostra que assumi os riscos e fiz do meu jeito...".

Márcio ABC, um dos maiores jornalistas com quem trabalhei e tive a honra de ser dirigido por ele. O grande chefe! Conversamos muito pouco durante a vida, mas o pouco parece que nos conhecemos a vida inteira! Quando falo para meus filhos do Márcio, confesso, tenho poucos amigos, muito poucos, explico a eles que a virtude do Márcio é a humildade como maturidade de ser e de existir do valor e do sentido transformador e dignificante para a vida humana. Ele teve a ousadia de chamar-me "monstro sagrado", nada disso! Não sou nada, além de um professor de História do Brasil, que adora lecionar, após 44 anos de trabalho e dirigir teatro, só isso! Acolho o que escreveu a meu respeito, mas não concordo!

Porque você sempre esteve de mãos abertas com as pessoas, sempre foi ético, sempre foi "o cara", tinha muito orgulho de trabalhar com Márcio ABC, aquele da televisão", comentava com meus filhos, afinal, toda a existência fica ao seu alcance e toda a sua humildade vem de "húmus", terra, realidade, alguém que tem os pés na terra, isto é, alguém que tem consciência do que é; de suas virtudes, de suas habilidades e qualidades, mas igualmente de seus limites e fraquezas, meu caro Márcio, muito obrigado, 2012 valeu a pena por isso!

Lendo mensagens no Facebook, deparei-me com um texto de George Vidal, um amigo de 33 anos, pessoalmente o maior músico de Bauru, me agradecendo de uma série de coisas que ao longo da vida fizemos juntos, nada disso! Amigo George! Falar de humildade, agradecimento, amizade real tem sentido em nossos dias?

Para não poucos aparece como fraqueza. Vivemos num tempo e numa cultura onde a esperteza e o cultivo do "eu" se tornaram prioridade em tudo. A "média" está aí, todos querem fazer "média" para estarem bem na fita, detesto média, puxasaquismo, aproveitadores de momentos. O egoísmo e o individualismo se tornaram a base da vida do existir humano em detrimento do valor maior, o social e o humanitário. O amor adoeceu e a convivência humana tornou-se agressiva. Sintomas claros de uma sociedade doente, rica em neuroses, mas muito pobre de valores de vida. Quando recebemos um obrigado de um George Vidal, tenho que chorar muito, porque existe sensibilidade no mundo ainda hoje, amigo, li, vi, vivemos juntos entendi, vislumbrei o outro lado e aprendi com você, mais uma vez, muitas coisas e sei que vou aprender muito mais, amigo, você tem muito mais a me ensinar do que eu a você. O pano está caindo, mas tenho um Márcio ABC, um George Vidal, um Pedro e um Carlos Dincao, um João Jabbour e mais... cinco ou seis. Obrigado!

Paulo Neves ? Professor de História do Brasil e Atualidades, diretor de teatro do curso livre e coordenador do Projeto Otimidade.

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