A família da operadora de caixa Deise Inácio dos Santos, 24 anos, foi tomada pelo sentimento de revolta. A vítima foi morta de maneira cruel pelo ex-companheiro três dias depois de ajudá-lo a desistir de pular de um viaduto, na entrada da cidade.
Segundo relato de familiares, na noite anterior ao homicídio, Paulo Roberto Barbosa teria ido à casa da mãe da mulher, onde a operadora de caixa vivia após a separação, e demonstrado arrependimento. Ele teria conversado com a ex-sogra e pedido ajuda para que pudesse retomar o relacionamento com Deise.
“Ele é usuário de drogas e falou que queria ajuda para se internar. Mas disse que, se a Deise não o aceitasse de volta, ele iria embora para Ribeirão Preto”, comenta Juliana Suelen dos Santos, 24 anos, prima da vítima.
Alternando momentos de desespero e revolta, o pai da jovem, Nelson José dos Santos, 54 anos, conta que Deise era uma pessoa tranquila, trabalhadora e mãe dedicada. Ontem, estava de folga e teria levado a filha para visitar o ex-companheiro após entregar um carregador de celular para o pai, no bairro Cidade Nova.
“Ela era uma pessoa companheira, prestativa. Por muito tempo, sustentou a filha sozinha, porque ele gastava tudo o que tinha com droga”, relembra o pai. De acordo com Nelson, devido ao vício de Paulo e às sucessivas agressões sofridas, Deise acabou desistindo de investir no relacionamento.
“Ela estava decidida e ele não se conformou. O que ele fez foi uma crueldade sem tamanho com uma pessoa boa como era a Deise. Foi uma crueldade com a minha neta, que agora ficou sem mãe. Mas ele vai pagar pelo que fez e todos da família vão cobrar Justiça”, afirma o pai da vítima.
Vítima foi golpeada ainda dentro do carro
Segundo relato de vizinhos, a operadora de caixa Deise Inácio dos Santos, 24 anos, recebeu a primeira facada ainda dentro do táxi e teve poucas chances de se defender. Ela estava na companhia da filha, de apenas 3 anos de idade. Ainda de acordo com testemunhas, depois de desferir o primeiro golpe, Paulo Roberto Barbosa, 24 anos, teria retirado a vítima de dentro do veículo e passado a agredi-la com socos.
Depois de cair, Deise foi esfaqueada dezenas de vezes. Ela teria gritado por socorro, mas apenas a irmã de Paulo, Sueli Barbosa Rosa, 25 anos, teve coragem de intervir. A tentativa de impedir a agressão, no entanto, foi em vão.
“Eu tentei apartar, segurar, empurrar, entrar no meio, mas não consegui fazer nada para impedir o que aconteceu. Não sei se ele tinha algum problema, se estava com depressão. Não dá para explicar o que aconteceu”, considera.
Depois da separação, há cerca de quatro meses, Paulo havia voltado a morar com a mãe, onde também vive, num imóvel nos fundos, sua irmã Sueli. Ela conta que, por volta do meio-dia de ontem, ouviu uma confusão em frente a casa e, quando foi até a calçada, Deise já havia sido golpeada.
“Eles brigavam sempre, os dois se agrediam, mas nada nem perto disso (homicídio). Minha mãe também viu o que aconteceu, tentou ajudar, e acabou passando mal”, relembra a irmã, que diz ter planos de sair do endereço onde tudo ocorreu, no bairro C5, por medo de sofrer represálias por parte da família de Deise.