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?Conexão Bauru-Xingu? revela realidade indígena da região

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

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História dos irmãos Villas Bôas virou filme e minissérie

Bauru está mais próxima de Xingu do que parece. A reserva indígena no norte do Mato Grosso criada em 1961 foi fruto da luta dos índios daquela região, liderados pelos irmãos Cláudio e Orlando Villas Bôas (outro irmão, Leonardo, acabou se afastando das expedições), que foram retratados neste ano pelo cinema através do filme “Xingu”.

A história também virou minissérie, cujo último capítulo será exibido hoje à noite, na Rede Globo. Xingu foi o primeiro território indígena demarcado pelo governo federal. O presidente da época era Jânio Quadros.

Outro membro da família Villas Bôas, Álvaro, irmão de Cláudio, Orlando e Leonardo, possui uma relação estreita com a região de Bauru, uma vez que dirigiu a Diretoria Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) na cidade e morou aqui até morrer, em 1995, sendo inclusive enterrado em Bauru.

Cláudio e Leonardo nasceram em Botucatu (90 km de Bauru), enquanto Orlando era natural de Santa Cruz do Rio Pardo (95 km de Bauru). Álvaro nasceu em São Paulo.

A luta dos irmãos Villas Bôas é reconhecida não só pelos indígenas do Centro-Oeste brasileiro, mas também pelos índios da nossa região. Jupira Manoel Sobrinho, mais conhecida como a índia Jupira-Terena, esteve diversas vezes na Reserva de Xingu e diz que o filme foi verossímil.

“Assisti ao filme e a minissérie, e ambos retratam a realidade da época. Mas com certeza cabe uma continuação, um Xingu 2, até um Xingu 3, pois muitas coisas aconteceram depois”, explica Jupira-Terena.

“Além disso, o povo Xingu não foi o primeiro que os irmãos Villas Bôas conheceram. Antes de chegar até lá, eles tiveram contato com povos como Juruna e Xavante, que também possuem uma história riquíssima”, lembra.

“Conheci aquela região, pois meu ex-marido trabalhou lá pela Funai. É uma reserva belíssima, com uma natureza fascinante. Frequentemente vou para Xingu e, infelizmente, o que vemos hoje é uma grande devastação. Aquela área está sendo destruída, abrem estradas, desmatam, e isso é muito ruim. Xingu possui uma área grande, equivale ao tamanho da Bélgica”, diz. Jupira vai voltar à reserva no dia 5 de janeiro, devendo passar alguns dias por lá.

Jupira-Terena nasceu em Araçatuba, cidade que conta com população indígena morando normalmente na zona urbana. Depois ela veio para a região de Bauru, na aldeia Araribá (no posto indígena de Copenoti).


Luta na região

Paulo Roberto Sebastião, o Paulinho Paiakan, um dos líderes da Terra Indígena de Araribá, é atualmente vereador no município de Avaí.

Paiakan se recorda que, quando ainda era criança, Álvaro Villas Bôas ia até a aldeia. “Me lembro dele falando com o meu pai e com outros índios. Ele era bem atuante, naquela época a Funai, que na verdade se chamava Serviço de Proteção ao Índio (SPI), funcionava bem na região”, cita.

Sobre o filme “Xingu”, o líder indígena diz que o mesmo foi fiel à realidade. “O que é mostrado no cinema e agora na TV é verdade, a luta dos irmãos Villas Bôas foi daquele jeito mesmo”, reitera.

O vereador, que vai para seu terceiro mandato consecutivo, diz que os índios devem ter uma representação para conseguir acesso ao governo. “Meu eleitorado são os índios das quatro tribos de Araribá: Kopenoti, Ekeruá, Nimonundaj e Tereguá. Precisamos estar representados na Câmara e em outros órgãos, é a única forma de ter voz junto ao governo. Além disso, temos que focar o trabalho com a comunidade”, lembra.

Paiakan revela ainda que a maior preocupação hoje é com os índios das aldeias do Sudoeste paulista, dentro da área de cobertura da Coordenadoria de Bauru. “Essas três aldeias ficam em Itaporanga, a 270 km de Bauru, ou seja, estão longe do controle da Funai daqui. Nossa preocupação hoje é com eles, pois estão em terras que não foram demarcadas ainda”, menciona.

Ele ressalta que a mudança da Diretoria Regional da Funai de Bauru para Itanhaém foi prejudicial aos índios. “Antes tínhamos mais assistência, era algo mais próximo. O melhor momento da Funai foi há uns 15 anos, depois já não atendia as demandas como antes, e agora que mudou a Diretoria Regional para o litoral, acabou sendo ruim para nós aqui na região de Bauru”, pontua.


Irmãos Villas Bôas x Bauru

Em junho deste ano, após o lançamento do filme “Xingu”, do diretor Cao Hamburger, a jornalista Fernanda Villas Bôas escreveu um artigo no Jornal da Cidade sobre o longa-metragem que estava chegando às telas. Sobrinha de Cláudio, Orlando e Leonardo, ela é filha de Álvaro, que morou em Bauru e foi diretor da Funai na cidade.

Na época do lançamento de “Xingu”, Fernanda citou que o filme retratava a realidade, e que os irmãos Villas Bôas “não foram heróis, estão longe disso. Falharam muito e foram alvos de vaidades pessoais em vários momentos de suas vidas. O grande mérito dos irmãos foi ajudar a imprimir um novo destino aos índios brasileiros”, escreveu em junho deste ano no JC.

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