Política

Hospital de Base: ano novo, ponto novo

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Os 983 funcionários do Hospital de Base (HB) tiveram, entre quarta-feira e ontem, a garantia concreta de manutenção de seus postos de serviços junto à Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), de Botucatu. A entidade assumirá oficialmente a gestão da unidade à meia-noite do dia 1 de janeiro e já recolheu as carteiras profissionais dos trabalhadores para fazer as anotações cabíveis.

Junto com o hospital, a fundação assumiu a sucessão trabalhista da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que sai de cena do HB no último dia de 2012, com passivo de quase R$ 150 milhões, acumulados ao longo dos últimos 35 anos e potencializados pelos escândalos deflagrados em 2009, pela Operação Odontoma, da Polícia Federal (PF).

A partir de agora, a expectativa de toda a cidade e região, que mantêm relação de afeto com o hospital, é de que um novo tempo comece. A mesma sensação é notada em depoimentos de trabalhadores, que, até pouco tempo atrás, não sabiam sequer se teriam seus empregos em 2013.

Funcionária da AHB há 18 anos, a gerente de Recursos Humanos Salete Baptista é uma das pessoas que têm muito a comemorar. “Seriam mil famílias com pais e mães desempregados. Isso era muito preocupante e a solução encontrada nos trouxe um alívio muito grande”.

Por trabalhar no setor de RH, Salete ajudou a coordenar o processo de cadastramento  da impressão digital dos colegas para o registro do novo ponto. “Nós temos muita fé de que, junto com o ano e o ponto novos, venham tempos melhores para esse hospital”, conta.

A trabalhadora lembra que, quando entrou no HB, seu filho caçula tinha um ano de vida. Hoje, o rapaz está ingressando na universidade. “É uma vida. Esse lugar foi muito importante, marcou muito”.


Perspectivas

Salete diz estar confiante em melhorias nas condições de trabalho na nova fase do Hospital de Base. O primeiro ponto, segundo ela, é o aumento salarial. Isso vai acontecer porque os funcionários do Hospital Estadual ganham um pouco mais e a mesma empregadora, no caso a Famesp, não pode adotar políticas salariais diferentes.

A esperança não se restringe apenas a isso. A Famesp e o Estado prometem uma ampla reforma no prédio do HB, que deve começar em abril de 2013 e tem orçamento estimado em R$ 30 milhões, de acordo com a Divisão Regional de Saúde (DRS-6).

“Isso vai fazer toda a diferença. Não é que as condições do prédio atrapalhem nosso serviço. Mas não tem mais aquele prazer em trabalhar. Do jeito que está, precisamos improvisar para acomodar pessoas e serviços”, relata.


Só vendo

Assim que Estado e Famesp assumiram convênio com o HB, há cerca de duas semanas, o JC ouviu funcionárias da unidade, que, depois de tantos meses de incertezas, ainda estavam incrédulas com a solução. “Estou acreditando, desacreditando”, comentou a auxiliar de enfermagem Neusa Antunes de Oliveira, 57 anos.

No mais, os trabalhadores já comemoravam a solução. A técnica de enfermagem Claudineia Palmieri do Nascimento, 43 anos, contou que perdia o sono por não saber do futuro. “Já passei por muitas dificuldades, vim da Maternidade Santa Isabel e o futuro sempre foi uma dúvida aqui dentro”. Agora, estou confiante”.


O acordo

Para assumir a sucessão trabalhista da AHB, a Famesp exigiu cláusula contratual pontuando que o Estado vai ressarcir a entidade pro qualquer gasto rescisório. Para dar segurança ao combinado, foi assinado um acordo junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Os 983 trabalhadores terão estabilidade garantida por um ano. No entanto, para novas contratações a Famesp terá que promover processos seletivos, como prevê o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) vigente anteriormente.

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