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A verdadeira história do Natal

Alzira J. Tomei
| Tempo de leitura: 2 min

Quando buscamos a verdadeira história do Natal, acabamos diante de rituais e deuses pagãos, quando Jesus Cristo foi colocado numa festa que nada tinha a ver com Ele. De 227 até 275 d.C, o Imperador de Roma foi Aureliano, que estabeleceu o dia do nascimento do Sol em 25 de dezembro "Natalis Solis Invicti", que significa nascimento do Sol invencível. Estas festividades pagãs estavam muito arraigadas nos costumes populares, até serem suprimidas com a advento do Cristianismo, religião oficial por Decreto de Constantino (317-337 d.C), então Imperador de Roma. Como antigo adorador do Sol, sua influência foi configurada quando ele fez do dia 25 de dezembro uma Festa Cristã, transformando as celebrações de homenagens à Mitra, Baal, Apolo e outros deuses, na festa de nascimento de Jesus Cristo. Assim, rituais, crenças, costumes e mitos pagãos passam a ser patrimônio da "Nova Fé", convertendo-se deuses locais em santos, virgens em anjos e transformando ancestrais santuários em Igrejas de culto cristão. O universo romano foi educado, então, com os costumes pagãos. E nós, brasileiros, povo do Ocidente, de 65 anos para cá, temos visto Papai Noel como uma figura de muitas dimensões, ora como um "elfo", ora como um "duende", com barbas e cabelos brancos.

Papai Noel já era capa de revistas, livros e jornais no final do século XIX, aparecendo em propagandas do mundo todo. Cartões de Natal o retrataram vestido de vermelho. A partir daí, Noel vem adquirindo várias nuances, até que em 1931 a The Coca-Cola Company contrata um artista e transforma Papai Noel numa figura totalmente humana e universalizada. Sua imagem foi definitivamente adotada como o principal símbolo do Natal. A imagem do Noel continuou evoluindo com o passar dos anos e muitos países contribuíram para sua aparência atual. O trenó e as renas acredita-se que sejam originárias da Escandinávia. Outros países de clima frio adicionaram as peles e modificaram sua vestimenta e atribuíram seu endereço como sendo o Pólo Norte. A imagem da chaminé por onde o Papai Noel escorrega para deixar os presentes vieram da Holanda.

E a evolução humana funciona assim: esses lindos fatos históricos desembocam hoje em shopping centers, lotados de pessoas não preocupadas em ensinar valores aos descendentes adeptos à era digital, mas em presentear amigos e parentes. Com cartões de crédito estourados, entre pagodes, funks ou outro ritmo qualquer, os cristãos do século XXI estarão ao redor de mesas fartas, felizes, rindo muito ou brigando por problemas familiares que nunca chegam ao fim, verdadeiras mesquinharias. Resta-nos reconhecer que em alguns lugares apenas haverá silêncio e a lembrança da passagem de um homem que morreu pregado numa cruz, investindo, utopicamente, na salvação de seus semelhantes.

A autora, Alzira J. Tomei, é professora de Sociologia e Língua Portuguesa da Universidade Nove de Julho

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