Tribuna do Leitor

Assassinato em Pederneiras


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Há fatos que causam comoção, como uma morte por erro médico, acidente automobilístico. Porém, abrir o jornal - ou nem abrir - e dar de cara com uma manchete que exprime toda a covardia de um homem é algo que me deixa, particularmente, revoltada. Não sou feminista, mas considero inconcebível a prática de terrorismo psicológico e físico que esses "machos" imprimem às suas companheiras. E, na maioria das vezes, acabam em tragédias.

Interessante que vamos acompanhar a notícia por alguns dias, entretanto, por mais que nos esforcemos, cairá em nosso esquecimento. Enquanto isso, uma família chora a perda - besta - de sua filha e uma criança cresce sem a presença da mãe. E tudo por quê? Por um lixo que sociedade teima em dizer que é "doente", que precisa de tratamento. Agora, neste exato momento, enquanto eu escrevo e você lê essa carta, esse ser vivo está em uma cadeia, comendo e bebendo às nossas custas. Ele nunca produziu nada - além de dor, é óbvio - e nunca produzirá. Que a família dele me desculpe, mas um homem que se diz suicida cometendo um ato hediondo na frente de uma criança que ele ama só posso considerá-lo lixo da pior espécie.

E a família da moça? Que tipo de justiça ela quer? No Brasil, esse "homem" ficará "mamando" por alguns anos na prisão, aprendendo a ser mais cafajeste e bandido e sairá de lá com expectativas de uma vida melhor, com uma namorada pendurada no braço e um discurso de "aprendi com meu erro". Isso se ele for condenado, porque já disse que "fez motivado por ciúme" - crime passional, na nossa legislação, tem atenuante. Mas isso não me cabe julgamento.

O fato em si já é terrível demasiadamente. Espero que Deus dê o consolo à menina que crescerá sem mãe e que viu um monstro matá-la.

Sinaida Lopes

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