O risco de atropelamento não existe somente em bairros próximos às rodovias, acidentes desse tipo também podem ocorrer em avenidas ou mesmo em ruas residenciais. Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Cláudio Augusto Antunes da Silva, a dica para evitar atropelamentos é não deixar as crianças soltas nas vias.
“Com tantos carros, não há como garantir a segurança nas ruas. No passado era diferente, as brincadeiras aconteciam nas vias e praticamente não havia perigo, mas, hoje, o ideal é brincar em parques, bosques, quintais... Nada de ruas. Já os motoristas precisam andar em menor velocidade, principalmente quando transitam por ruas de bairros movimentados”, frisa.
Entretanto, apesar dos constantes atropelamentos e campanhas educativas, andando pelos bairros de Bauru, a reportagem facilmente flagrou crianças e jovens brincando, empinando pipas, jogando bola ou atravessando ruas movimentadas.
Afogamento
A combinação férias, fim de ano, festas e calor gera outro risco: o de afogamento. E a região da Quinta da Bela Olinda é um dos lugares mais perigosos quando o assunto é morte por afogamento. Apesar das placas de alerta espalhadas pelo lugar, crianças e adultos se arriscam diariamente na lagoa que já foi palco de mais de 70 mortes, segundo uma placa instalada no local pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
'Já passei por isso'
Segurança, Flávio Romero dos Santos já sentiu na pele o que é perder um filho atropelado. Em novembro de 2008, Flávio Júnior morreu aos 15 anos de idade enquanto transitava de bicicleta pela Avenida Duque de Caxias.
“Um ônibus bateu na traseira da bicicleta e ele não resistiu aos ferimentos. Era um bom garoto, trabalhava, estudava e a sua diversão era a bicicleta. O alerta que eu faço para os ciclistas é que prestem muita atenção nas vias e isso também vale para os motoristas. Infelizmente muitas ruas de Bauru não têm lombadas ou faixas de pedestre, o que facilita os acidentes. Vejo isso no bairro onde vivo, o Mary Dota. Juntos, os moradores fizeram um abaixo-assinado por sinalizações melhores e conseguimos alguma coisa. Quanto ao meu filho, recorremos à Justiça porque o ônibus bateu na traseira da bicicleta, mas ainda não conseguimos nada, fica a saudade”.