Bairros

Diversão segura

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Com energia de sobra, criança gosta mesmo é de correr, pular, jogar bola, andar de bicicleta... Enfim, gosta da liberdade infantil. Com Luiz Felipe Neves Bastos, 6 anos, não é diferente. Entretanto, bicicleta para o menino é somente na calçada e com a supervisão de um adulto, como a avó Isabel Santana Bastos, que cuida do garoto enquanto os pais trabalham.

“Sozinho na rua ele não vai mesmo. Ele gosta muito de skate, mas as ruas são perigosas e ele já obedece”, diz dona Isabel. “Eu obedeço porque meus pais dizem que não posso sair sozinho porque é perigoso”, acrescenta Luiz Felipe.

E como manter uma criança em casa o tempo todo não é tarefa das mais fáceis, dona Isabel diz que os clubes são uma das atividades feitas pela família para garantir a alegria dos pequenos: “Mas sinto que falta lazer onde moramos, principalmente nas férias”, destaca a moradora do Jardim Chapadão.


Brincadeiras em família

Mãe, pai, filho e até uma cachorrinha, ou seja, diversão em família. Toda tarde é assim para a família da dona de casa Aparecida Mendes Borges, esposa do mecânico de manutenção industrial Luiz André Borges e mãe de Leonardo Mendes Borges, 4 anos, que toda tarde espera ansioso para brincar com os pais.

“O Leonardo faz aquela festa quando meu marido chega em casa. Agora nas férias, ele passa o dia todo querendo sair para brincar de bola, com a cachorrinha ou andar de bicicleta, mas só fazemos isso ao final da tarde, quando meu marido chega do trabalho”, descreve Aparecida.

Apesar de gostar da rua e de ver a algazarra dos outros garotos, Leonardo só pode sair com a supervisão dos pais. De acordo com Aparecida, o bairro onde eles vivem, o Fortunato Rocha Lima, é um lugar onde as crianças gostam muito de brincar nas ruas, entretanto, é perigoso por ficar próximo da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), conhecida como Bauru-Marília, onde morte por atropelamento não é fato incomum.


Todo cuidado é pouco

Inclusive, no último dia 22 de dezembro (sábado), um menino de 10 anos morreu após ter sido atropelado no quilômetro 351 da rodovia mencionada quando empinava pipa e teria atravessado a via no momento da tragédia.

“Infelizmente esta não é a primeira morte por atropelamento por aqui. É difícil porque falta lazer para as crianças, como praças e parques, por exemplo”, ressalta Luiz André.


'Ouvir os pais é sempre bom'

Férias para os irmãos Deivison Matheus, Marco Antônio e Bruna Letícia Rios Biral, de 13, 10 e 12 anos, respectivamente, também é tempo de criatividade e trabalho manual. Eles se divertem enquanto ajudam a mãe, Keila Pereira Rios, com o trabalho que representa uma renda extra para a família.

Moradores da região da Quinta da Bela Olinda, os irmãos contam que sempre escutam casos sobre pessoas que abusam da lagoa e se afogam. “As pessoas não têm consciência, mas nós obedecemos ao que nossos pais falam. É sempre bom ouvir os pais”, defende Deivison Matheus.

Segundo o pai dos garotos, o encarregado de departamento pessoal Luiz Fernando Prates Biral, é comum ver crianças nadando na lagoa sem a companhia de um adulto, principalmente nos dias mais quentes. “O lugar não é muito confiável, principalmente para crianças”.

Por viverem em uma residência com um quintal grande, os irmãos inventam suas brincadeiras no próprio quintal de casa: “Eles nos obedecem porque damos exemplos. Educar os filhos é uma boa alternativa para livrá-los dos perigos”, acrescenta Keila. “Além disso, a lagoa não é limpa”, observa Marco Antônio.

Comentários

Comentários