Chega ao fim mais um ano e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) fica novamente longe do esperado. O anúncio, feito pelo Banco Central em 20 de dezembro de 2012, informou que, o crescimento foi de 1,0%, longe dos 4,5% previstos no início do ano.
Em um balanço, vemos como uma das variáveis positivas de maior importância do governo Dilma a derrubada dos juros básicos da economia, hoje de 7,25% ao ano. Níveis esses desconhecidos na história recente do país.
Em contrapartida, o maior fracasso é a incapacidade de fazer o PIB crescer de forma sustentável e próximo ao prometido.
Em 2011, o objetivo inicial era um crescimento de 5,0% e o atingido foi de apenas 2,7%.
Para 2013, conforme afirmou o Ministro da Fazenda Guido Mantega, a aposta é de 4,5%, mas as análises preliminares já advertem que o índice, dificilmente, passará dos 3%.
A explicação para este fenômeno vem dos princípios da Economia de Mercado. O consumo interno das famílias se realiza de forma elevada e a oferta de produtos não acompanha o mesmo ritmo. Também não existem investimentos estruturais sendo realizados.
O cenário atual de grande parte das indústrias nacionais é de alto custo unitário. Redução na margem de lucro e obrigatoriedade em manter os preços para se sustentar junto à concorrência interna e externa.
Para o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, é preciso mudar o foco da política econômica. Segundo ele, temos que sair do estímulo à demanda para o aprimoramento da oferta, com medidas como investimentos em infraestrutura, educação, redução de custos tributários e de energia, revertendo, com isso, o fraco desempenho da produtividade brasileira.
Enquanto isso não ocorre, a economia balança em V, com tendência ao declínio.
Engana-se quem pensa que investimentos do governo na indústria (seja com empréstimos específicos à juros baixos ou na isenção de alguns tributos) serve apenas para engordar o bolso dos patrões. A realidade é que a escassez econômica de um setor atinge, como consequência, o outro, seja numa matéria-prima ou na curva da demanda.
Para ser mais específico, a taxa de investimentos vem caindo constantemente no governo Dilma, hoje está em 19% do PIB, sendo que, para a maioria dos economistas, é preciso chegar a pelo menos 22% para sustentar um ritmo de crescimento aceitável, que é de 4% ou até 4,5% ao ano.
A grande mudança estrutural que vai garantir crescimento permanente ainda está à espera de políticas que estimulem a poupança.
Como conceito, a poupança sempre foi a diferença entre a renda e o consumo, se o consumo aumenta demais, não haverá poupança.
Assim está o governo, incentivando o consumo, como se daí dependesse a manutenção do bom nível de emprego e o avanço econômico sustentado.
Mesmo sabendo que a falta de investimento e o declínio da indústria são as principais razões da fraqueza do crescimento, podemos acompanhar algumas expectativas para o ano de 2013.
Além da derrubada dos juros, as projeções para o ano que se inicia contam com um cenário de mudanças que leva em consideração cinco fatores: a ascensão e permanência de pelo menos 100 milhões de pessoas aos padrões de consumo das classes médias; o desenvolvimento do crédito, que saltou de 45% do PIB em 2010 para os atuais 51,5% do PIB; a redução dos custos trabalhistas ao que se acostumou chamar de desoneração da folha de pagamento; os estímulos governamentais na forma de financiamento de projetos de inovação tecnológica, que contribuirão para o aumento da produtividade; e a esperança de alta na taxa de investimento Governo x Indústria, com a perspectiva da retomada da economia em bases melhores do que em 2012.
Já que o mundo não acabou, vamos esperar para ver!
O autor, Carlos Roberto Sette, é economista, professor universitário e diretor de empresas, e Jorge Martins Jr. é economista, com MBA em Controladoria e especialista em finanças