Regional

Câmara paga ligações de vereador

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Um vereador de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), reeleito para o quarto mandato, faltou à sessão da Câmara realizada no dia 15 de outubro em razão de uma viagem ao Mato Grosso do Sul. Durante quatro dias, o parlamentar realizou dezenas de ligações do celular corporativo. Além de não ter o dia de falta descontado, ele ainda deixou uma conta telefônica no valor de R$ 583,00 para o Legislativo pagar.

O caso foi denunciado anonimamente ao JC, acompanhado de documentos que comprovariam o gasto ilegal de dinheiro público. Além de cópia da ata da sessão de 15 de outubro, onde Manoel dos Santos Silva (PSDB), o Manezinho, consta como ausente, a reportagem teve acesso aos holerites de outubro e novembro do parlamentar, que demonstram que o dia de falta não foi descontado do seu pagamento.

Entre os documentos enviados à redação também estão extratos detalhados da conta do celular corporativo do vereador, que tem como base o período de 16 de setembro a 15 de outubro. Entre os dias 12 e 15 de outubro, quando teria ocorrido a viagem, o parlamentar realizou dezenas de ligações de uma cidade com DDD 067, referente ao Estado do Mato Grosso do Sul. Grande parte delas teve como destino celulares do Piauí.

O valor da conta telefônica do vereador tucano, pago pelo Legislativo de Lençóis Paulista, foi de R$ 583,17. Desse total, pelo menos R$ 200,00 referem-se a ligações realizadas do Mato Grosso do Sul, entre 12 e 15 de outubro, para diversos celulares e telefones fixos. Durante quatro dias, o JC telefonou para o presidente da Câmara na época, Ailton Rodrigues de Oliveira, o Juruna (PTB), mas ele não atendeu as ligações.

Por duas vezes, a reportagem também entrou em contato com o assessor de imprensa do Legislativo, mas ele informou que não conseguiu localizar Oliveira para falar sobre o assunto.


"Tranquilo"

O vereador Manoel dos Santos Silva (PSDB), o Manezinho, alega que as denúncias são infundadas e que os documentos enviados ao JC são falsos. Ele confirma que não compareceu à sessão de 15 de outubro em razão de uma viagem, mas diz que avisou o Legislativo com antecedência. “Eu costumo pegar meu holerite, mas não vejo se houve desconto ou não. Se não houve, foi má-fé de pessoas de cargos de confiança da Câmara que tentaram armar contra minha pessoa”, dispara.

Em relação às ligações realizadas durante sua viagem ao Mato Grosso do Sul, Silva se declarou “tranquilo”. “O presidente da Câmara disponibiliza tantos minutos para a gente utilizar. Se você procurar todos os vereadores, eles usam também os celulares. Eu estou dentro do limite que o presidente determinou para todos os vereadores”, argumenta. “Essas denúncias vêm aparecer aos 45 minutos do segundo tempo. Por que (o denunciante) não foi no promotor?”.

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