Quioshi Goto |
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Segundo o DAE, o rompimento da adutora foi causado por sucessivas quedas de energia |
Cerca de 55 mil moradores de Bauru começaram o ano novo enfrentando um problema antigo e recorrente na cidade. Por conta do rompimento de uma adutora, 15 bairros deverão ficar sem água nos próximos dias. A previsão é de que o abastecimento só seja plenamente normalizado durante a madrugada de sábado.
No final de setembro de 2012, a mesma adutora, que possui de 24 polegadas de diâmetro e leva água bruta do Rio Batalha para a Estação de Tratamento de Água (ETA), já havia apresentado vazamento, o que causou transtornos a cerca de 40 mil bauruenses. Desta vez, devem ser penalizados os bairros Terra Branca, Vila Independência, Vila Falcão, Jardim Ouro Verde, Jardim Aeroporto, Jardim América, Jardim Estoril, Altos da Cidade, Centro, Vila Cardia, Santa Cândida, Vila Dutra, Vila Industrial, Vila Universitária e Jardim Bela Vista.
O problema, segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), foi provocado por sucessivas interrupções de energia registradas durante a chuva que atingiu Bauru na noite do dia 1º de janeiro. “Toda vez que há queda de energia, o sistema para de funcionar. Em função da oscilação que houve durante a chuva, tivemos de religar o sistema repetidas vezes, o que fez com que a adutora não resistisse”, explica o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, Igor Fournier.
A tubulação com vida útil já esgotada também não ajudou. Com diversas emendas ao longo de seus 300 metros, a adutora se torna frágil à pressão da água quando a religação do sistema é feita e não há um sistema de controle realmente capaz de evitar os vazamentos.
Instalado há mais de 40 anos, o tubo é fabricado em fibra de vidro, material considerado obsoleto diante da tecnologia existente nos dias atuais. “Nem existe mais tubulação deste tipo no mercado. Hoje, são utilizados PVC defofo e ferro dúctil”, salienta Fournier.
Reparo
Os serviços de reparo na adutora foram concluídos na tarde de ontem, mas, de acordo com a Divisão de Produção e Reservação de Água, o abastecimento só seria plenamente normalizado durante a madrugada do próximo sábado, dia 5. Porém, a expectativa é de que as regiões localizadas nas áreas mais baixas da cidade voltem a receber água antes deste prazo.
Enquanto isso, os moradores terão de se virar como puderem. “Já chegamos a ficar sem água até para escovar os dentes. Hoje, estocamos água ao menor alarme dos noticiários, como aconteceu hoje (ontem)”, relata a professora Cristiane Melendes de Oliveira, ao lado da mãe, a comerciante Neuza Maria Melendes.
Assim como para elas, que moram na quadra 3 da rua Prudente de Moraes, na Vila Falcão, a falta de água já virou rotina para muitas famílias bauruenses. “Em casa, nós fazemos de tudo para economizar água. Temos uma criança de pouco mais de 2 anos e não podemos descuidar. Enchemos baldes e bacias quando a água começa a diminuir. A faxina do início do ano, por exemplo, desta vez será feita mais tarde”, completa dona Neuza.
De acordo com o DAE, os consumidores das regiões atingidas pelo desabastecimento devem economizar água e, caso necessário, devem acionar caminhões-pipa por meio do telefone 0800-7710195.
Bauru 16 sem água
Doze bairros da região do Núcleo Bauru 16 poderão enfrentar problemas no abastecimento de água devido à suspensão de energia programada pela CPFL para amanhã. Das 8h30 às 11h, o poço do Núcleo Bauru 16, localizado na quadra 3 da rua São Roque, ficará desligado.
Com isso, a distribuição de água poderá ser interrompida nos bairros Nova Esperança, Jardim Prudência, Parque Roosevelt, Parque Jaraguá, Jardim Petrópolis, Santa Edwirges, Vânia Maria, Fortunato Rocha Lima, Distrito Industrial 3, Núcleo Gasparini, parte do Parque Vista Alegre e no próprio Bauru 16.
Virou rotina
Segundo a professora Cristiane Melendes de Oliveira, os constantes problemas de abastecimento fizeram com que ela ficasse sempre atenta às matérias sobre água nos noticiários de TV e rádio e na leitura de jornais e sites: “Hoje (ontem), foi meu pai quem deu o alerta sobre a possível escassez de água no bairro até o final da semana. Eu e minha mãe corremos para lavar as roupas e armazenar água”, revela.
Já a costureira Elvira Ruiz, moradora da quadra 2 da rua Tomaz Bosco, Jardim Ouro Verde, garante que a torneira seca já a pegou de surpresa e isso quase lhe custou a máquina de lavar roupas. “Ligamos a máquina e a água não foi suficiente para o processo. Resultado: quase perdemos a lavadora. Vivo no bairro há 12 anos e vejo que o problema vem se agravando”, avalia.
