Política

?Eu tenho um perfil conciliador, minha vida sempre foi assim e seguirá assim?

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Eleito por unanimidade na noite de anteontem para presidir a Câmara Municipal de Bauru, logo após a sessão solene de posse dos 17 vereadores eleitos em outubro, juntamente com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e a vice-prefeita Estela Almagro (PT), o vereador Sandro Bussola iniciou seu mandato ontem fazendo reuniões e buscando mais detalhes sobre a situação atual do Legislativo bauruense, local onde já trabalhou durante 13 anos, na função de assessor parlamentar do ex-vereador José Carlos Batata (PT).

Presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores, Bussola tem 37 anos, é casado com Ariane Ribeiro Bussola e tem uma filha, Raphaela, de 11 meses. É formado Técnico de Processamento de Dados no Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp de Bauru, mas exerceu durante vários anos a função de representante comercial, sempre militando também na política.

Bussola concedeu entrevista ao JC ontem e falou sobre aspectos importantes do início deste novo mandato.


Jornal da Cidade - Na terça-feira foi um momento mais festivo, em função da posse, com a eleição logo em seguida. O senhor começou o mandato efetivamente ontem, como foi o primeiro dia na presidência da Câmara?

Sandro Bussola - O primeiro dia foi de muitas reuniões, com dirigentes partidários do PT, porque agora a gente tem que dedicar um espaço maior para as questões da Câmara, existe uma demanda maior, temos que estar preparador para isso. Hoje já teremos mais reuniões, já falei com o Carlos Gobbi (consultor jurídico da Câmara) para fazermos uma visita à Promotoria, quero colocar a Casa à disposição do Poder Judiciário. Temos algumas demandas para tocar a partir de hoje.


JC - Qual o teor dessas reuniões e com quem o senhor está se reunindo?

Bussola - Na verdade, ontem conversei com alguns vereadores de maneira informal, inclusive com vereadores que já estão lá, para saber como está o andamento da Câmara e para ver qual a expectativa deles neste novo mandato. Hoje vamos fazer uma reunião envolvendo os quatro integrantes da Mesa Diretora na Câmara, a partir das 9h, para decidirmos quais serão as primeiras atitudes que serão tomadas. Isso é importante para conhecer melhor a Câmara hoje e ver a situação atual. Ontem já fizemos a divisão dos gabinetes, os vereadores que foram reeleitos permaneceram onde estavam, e os novos estão se acomodando agora, já para iniciar os trabalhos. Com o setor administrativo da Casa vou me reunir hoje pela manhã também, logo após a reunião com a Mesa Diretora.


JC - Como está a agenda até o final de semana?

Bussola - Esta semana está sendo dedicada mais às reuniões, realmente. Precisamos ver com calma as decisões que serão tomadas, mas sempre em conjunto com a diretoria e demais vereadores.


JC - E sua situação no PT, segue na presidência? E como administrar duas presidências importantes?

Bussola - Sim, meu mandato de presidente do diretório municipal vai até novembro, quando ocorre a eleição geral do partido, e pretendo ficar até o final do mandato. No sábado (5), às 9h, haverá uma reunião geral do partido para discutir efetivamente o papel do PT no governo e ver os desdobramentos desde início de mandato. Precisamos dividir as tarefas dentro do partido.


JC - Como foi sua relação com o Roque Ferreira (outro vereador do PT) para definir a candidatura à presidência da Casa?

Bussola - O Roque é um dos quadros mais importantes que nós temos no PT de Bauru hoje. Não é da mesma tendência partidária que a minha, mas quando o diretório fecha questão sobre determinado assunto, todos votam em conjunto, e foi assim com a eleição da Câmara. O Roque retirou sua candidatura em nome de um consenso, foi algo natural. Tenho certeza que ele vai me auxiliar também dentro da Câmara.


JC - O senhor esteve durante 13 anos (entre 1997 e 2000) na Câmara Municipal, atuando como assessor do ex-vereador Batata. Isso certamente vai ajudar.

Bussola - Adquiri experiência política neste período, foi muito importante. O PT possui um papel dentro do governo municipal, esta eleição fortalece o partido, mas deve haver uma independência entre os poderes Executivo e Legislativo.


JC - E a convivência com o Batata e a Estela hoje, como é?

Bussola - É uma convivência harmoniosa, como deve ser na política, existem algumas divergências, coisa natural. Nós somos um grupo dentro de uma tendência partidária que tem que sentar e se resolver internamente. Agora, logicamente, meu grau de independência com os dois é maior. A relação que eu terei com a Estela é a mesma que eu tenho com o Rodrigo. Uma relação respeitosa, ela tem o seu papel no governo. Eu sempre fui de um perfil conciliador, minha vida na política foi assim e seguirá assim.


JC - As lideranças dos partidos tiveram papel de destaque na sua eleição, isso é fato. Qual foi o papel da vice-prefeita Estela e do Batata na articulação de sua candidatura à presidente da Câmara?

Bussola - Tanto o Rodrigo como a Estela não participaram, a exemplo do Batata, porque desde o começo ficou muito claro que o Executivo não se envolveria na eleição da Mesa da Câmara. As maiores articulações foram com o PMDB, PR e PPS, três partidos da base aliada. O Lima Júnior (PSDB) também teve uma atuação de destaque junto aos partidos de oposição.


JC - Haverá uma reunião geral com os vereadores? Já existem articulações em torno das comissões temáticas?

Bussola - Devo fazer uma reunião com todos ainda neste mês, antes da primeira sessão (que ocorre no dia 4 de fevereiro). Na primeira sessão os maiores partidos devem fazer algumas indicações, não devo fazer interferência nas escolhas de quem vai comandar casa comissão da Câmara.


JC - O presidente da Câmara tem livre deliberação sobre alguns cargos de confiança, como assessor jurídico, chefe de gabinete e assessor de imprensa. Vai manter quem está lá, outros assumirão?

Bussola - A tendência é que a maioria deles coloque os cargos à disposição ainda hoje, a partir daí vamos ver quem entra no lugar. Naturalmente mudanças vão ocorrer, certamente, mas vamos ver com calma os nomes para ocupar. Posso indicar diretamente, mas posso receber opiniões também. Além disso, existem outros cargos administrativos da Câmara, e com esses funcionários pretendemos conversar também. Acredito que até sexta-feira poderemos ter novidades. Muitas pessoas ficarão surpresas com minha atuação, o poder da caneta não vai ficar escondido dentro da sala do presidente, vamos procurar conversar com todos. Quando se compartilha a caneta, se compartilha também as responsabilidades.


JC - Qual sua avaliação do momento do PT no país hoje?

Bussola - Um momento bom. Passamos pelo processo do mensalão no ano passado, que ao meu ver foi julgado em um momento inadequado, em um período eleitoral, mas independente disso o PT saiu vitorioso nas últimas eleições municipais, crescendo bastante. O PT não é baseado em pessoas, mais sim em um projeto político. Estamos também ajudando a transformar Bauru.


JC - Sobre as eleições no partido em novembro, como vão ocorrer?

Bussola - As eleições do PT são gerais. Elege desde o Diretório Nacional aos Municipais, passando pelos Estaduais e Macrorregionais. Estou em meu segundo mandato, portanto não posso ser reeleito no final do ano, e ocupo também a vice-coordenação da Macrorregião de Bauru. O coordenador é o Everton de Matos.


JC - Até passando pela eleição do partido neste ano, qual o projeto do PT em Bauru para os próximos anos? O partido vai lançar candidatos a deputado em 2014 e a prefeito em 2016?

Bussola - O PT como um todo tem um projeto de lançar candidatura própria daqui quatro anos, e em Bauru não é diferente. Pretendemos lançar um candidato em 2016, e nas eleições de 2014 a expectativa é esta também. Temos vários nomes em potencial, isso precisa ser trabalhado com calma.


JC - Para finalizar, a relação com o PMDB em Bauru, partido do prefeito e com a maior bancada (quatro vereadores). Como administrar isso estando à frente da Câmara?

Bussola - Relação harmoniosa. O PT construiu o projeto Rodrigo Agostinho em 2008, quando muitos não acreditavam, então foi um processo que deu certo e vem caminhando muito bem. Existem divergências, como existe em qualquer lugar, mas isso é tratado com muito diálogo, que precisa ser mantido sempre. Se cada um respeitar seu espaço, não há problemas.

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