O sumiço de documentos e arquivos eletrônicos relativos ao trabalho desenvolvido pelo Fundo Social de Solidariedade (Fuss) de Jaú (47 quilômetros de Bauru) nos últimos anos vem intrigando a atual administração. Anteontem, ao chegar para o trabalho, a presidente do órgão, primeira-dama Rachel Sudaia de Almeida Prado Agostini, alegou ter encontrado o prédio em completo estado de abandono. A Polícia Civil investiga arrombamento e furto ocorridos no local no último dia 20.
Segundo a gerente de gabinete da prefeitura, Jordana Zago, além dos documentos, também ‘sumiram’ do prédio computadores com arquivos de convênios, projetos em andamento e prestações de contas. Funcionários que estavam no local teriam dito à presidente que, na madrugada do dia 20 de dezembro, ladrões invadiram o imóvel, na rua Edgard Ferraz, Centro, e levaram o equipamento que continha as informações dos trabalhos executados pelo Fuss.
Na ocasião, de acordo com boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, desconhecidos arrombaram o vitrô da janela da cozinha do Fuss e furtaram um telefone sem fio. De lá, eles tiveram acesso às dependências da Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Idosos, de onde foram levados CPU, monitor, molho de chaves e estabilizador. Representantes do governo anterior disseram à polícia estranhar o fato de somente o computador com os dados da secretaria ter sido furtado.
A atual administração também alega ter ficado intrigada com a ‘coincidência’. “O cenário é devastador, de abandono. A Raquel (presidente do Fuss) falou: Eu cheguei aqui com várias ideias para pegar os projetos que estão em andamento e tentar somar para fazer o melhor para a população, mas não encontrei nada”, conta a gerente de gabinete. Ela revelou que o prefeito Rafael Agostini (PT) irá encaminhar cópia do boletim de ocorrência ao Ministério Público (MP) pedindo a apuração civil do caso.
Nos últimos dias, segundo Zago, também foram registrados furtos no prédio do Programa de Oficinas de Inclusão Produtiva (Proip) e Horto Municipal. A reportagem telefonou para o celular da ex-primeira-dama e ex-presidente do Fuss, Caroline Franceschi, mas a ligação caiu na caixa postal. Apesar do recado, ela não retornou o telefonema.
Investigações
As investigações sobre o furto ocorrido nas dependências do prédio onde está instalado o Fuss estão sendo conduzidas pelo 1º Distrito Policial (DP) de Jaú. De acordo com o delegado titular da unidade, Euclides Francisco Salviato Júnior, no dia do fato, uma equipe do Instituto de Criminalística (IC) foi até o local para a realização de perícia.
O imóvel, segundo ele, não contava com câmeras de segurança, mas equipamentos localizados em estabelecimentos próximos poderão ajudar a identificar os envolvidos no crime. “Realmente o fato é estranho. Levar só o computador com as informações parece uma coisa meio direcionada”, afirma. Até ontem, de acordo com o delegado, nenhum suspeito havia sido identificado.