Polícia

Sequestro: mais 3 homens são presos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Amauri Vogt, Adriano da Silva e Tiago Cipriano foram pegos pela DIG em Agudos

Após uma longa investigação, a Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, prendeu em Agudos mais três suspeitos de fazerem parte da quadrilha acusada de tentativa de roubo a um condomínio no dia 18 de dezembro e de sequestrar um casal no Vale São Luiz, em Bauru, dois dias depois do crime.

Amauri Fernando Parras Luque Vogt, 34 anos, conhecido como “Monstro”, e Tiago Rissardi Cipriano, 22 anos, que já estavam com a prisão temporária decretada, foram reconhecidos pelo casal sequestrado. O terceiro integrante, Adriano Vieira da Silva, 36 anos, apenas participaria de um roubo que o trio programava para esta madrugada em Borebi.

Conforme noticiado pelo JC, na mesma noite do sequestro-relâmpago do casal, a Polícia Civil já havia identificado diversos suspeitos e prendido três deles: André Luis da Silva, 24 anos, o “Bila”, Peterson Ricardo de Moura, 21 anos, e Abenício José da Silva, o “BN”, 41 anos.

Dois deles foram encontrados em um barraco no Parque Real e o outro estava a caminho do Terminal Rodoviário de Bauru para voltar à sua cidade de origem.

Em seguida, as investigações foram intensificadas com o objetivo de encontrar “Monstro” e Tiago, que também já tinham sido identificados e estavam com a prisão temporária decretada por tentativa de roubo e sequestro.

“Com o apoio da equipe da Delegacia de Agudos, nós chegamos a este barraco, no Parque Pampulha, onde os três estavam escondidos. Nós obtivemos a informação de que eles planejavam um roubo a uma agência bancária, possivelmente em Borebi, e esperamos o momento certo para entrar na residência hoje (ontem)”, diz o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG de Bauru.


Flagrante

Por volta das 14h de ontem, a equipe da DIG de Bauru entrou na residência e flagrou Amauri, suposto cabeça da quadrilha, Tiago e Adriano armados. “Todos eles têm antecedentes criminais por roubo, mas o Adriano foi preso apenas por porte ilegal de arma. Ele faz parte da quadrilha, mas ainda vamos apurar se ele participou do sequestro e da tentativa de roubo”, destaca o delegado.

Na residência em que eles estavam no Parque Pampulha, em Agudos, foram apreendidos um cilindro com mangueiras, três alicates para cortar cadeados e miolos de fechaduras, dois revólveres calibre 38 municiados, quatro rádios HT, cinco aparelhos celulares e outras três chaves de fenda.

“O mais importante é que a investigação precisa nos fez chegar a esses indivíduos considerados de alta periculosidade. Conseguimos tirá-los de circulação e capturá-los sem nenhum tipo de resistência deles, mantendo a integridade física de todos, inclusive da população que mora ao redor deste local porque chegamos no momento certo, depois de horas de espera”, acrescenta Cledson.

A Polícia Civil de Bauru ainda procura por mais acusados dos dois crimes que integram a quadrilha, já que o relato das vítimas é de que, em ambas as ações, havia cerca de nove homens.

Outro acusado de integrar o bando é Alex Prado de Souza, 21 anos, que morreu após ser baleado no dia 24 de dezembro no Parque Santa Cândida em Bauru. “A morte dele não tem ligação com esses crimes”, finaliza Cledson.

Os três acusados presos ontem são investigados também em dois roubos de veículo e a residência, ocorridos recentemente nas cidades de Lençóis Paulista e Macatuba. Ainda no final da tarde de ontem, os três seriam encaminhados a uma unidade prisional de Bauru ou região.


Casal conta 'momentos de terror'

Na noite de 18 de dezembro, cerca de seis integrantes desta quadrilha renderam o vigia de um condomínio residencial localizado na Vila Samaritana, em Bauru, mas não obtiveram sucesso na tentativa de roubo, fugindo em seguida a bordo de dois veículos.

Dois dias depois, eles renderam um casal de empresários no momento em que chegavam a uma chácara no Vale São Luiz, zona rural de Bauru. As vítimas, que estiveram na DIG na tarde de ontem para fazer o reconhecimento dos indivíduos, relataram ao JC os momentos que passaram com os assaltantes, definidos por eles como “tortura”.

“Era pouco mais de 23h quando chegamos na chácara, com os vidros da Captiva fechados. Logo que eu acionei o portão eletrônico, notei dois carros estacionarem atrás de mim, mas com os faróis apagados. Os assaltantes estavam encapuzados e começaram a bater nos vidros do carro, dizendo que eram da Polícia Federal. Logo imaginei que era um assalto. Eles nos levaram para o interior da casa e nos amarraram”, contou o homem, que pediu sigilo da identidade.

Teve início então a sessão de terror. O casal foi intimidado a dar R$ 400 mil que estariam escondidos no interior da casa. “Eles pediam os R$ 400 mil, diziam que a informação que eles receberam era de que nós tínhamos muito dinheiro em casa e até barras de ouro. Não tínhamos dinheiro nenhum e eles começaram a nos agredir e fazer ameaças de morte”, contou a mulher.

“Eles me deram muitos chutes na costela, ameaçaram cortar os dedos e a orelha da minha mulher, eu achei que íamos morrer. Eles falavam o tempo todo que iam nos matar. Até que nos colocaram no carro e, depois de muitas voltas, nos deixaram em um matagal”, acrescentou o homem.

A esposa dele afirma, agora aliviada: “Não aconteceu nada pela minha fé. Pedia a Deus o tempo todo que não fizessem nada de ruim conosco. Demos a eles cerca de R$ 1 mil que estavam com o meu marido e, depois de nos deixar no mato perto de um riacho, eles foram embora com o nosso carro. Sabendo que eles estão presos, ficamos mais tranquilos”.

No início da manhã do dia seguinte ao crime, a Polícia Militar localizou a Captiva das vítimas totalmente incendiada, abandonada nas imediações de um condomínio de chácaras entre Bauru e Marília. Durante a ação, segundo as vítimas, os bandidos usaram um rádio HT sintonizado na frequência da PM, outra característica de atuação da quadrilha.

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