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Cirurgião culpa plantonista por demora para atender menina

Por Juliana Dal Piva | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

 O chefe da neurocirurgia do hospital Salgado Filho, José Renato Paixão, prestou depoimento na 23º DP (Méier, zona norte do Rio) e disse que não estava trabalhando no dia em que a menina Adrielly dos Santos Vieira, 10, esperou por oito horas até ser atendida e atribuiu a responsabilidade pela falta de atendimento ao plantonista que faltou ao trabalho.

Paixão afirmou que recebeu, de fato, uma ligação do plantonista Adão Crespo, dizendo que não iria ao plantão, mas disse que não poderia trocar a escala. "A responsabilidade é de quem está escalado", afirmou. O médico disse ainda que teve que fazer o plantão do dia 31 no lugar de Adão, depois da determinação da Secretaria de Saúde.

A criança de 10 anos foi atingida por uma bala perdida durante as comemorações de Natal no morro do Urubuzinho, na zona norte do Rio. Segundo a família, a criança brincava na rua logo após receber como presente uma boneca quando caiu no chão com a cabeça ferida. Eles só souberam se tratar de um tiro no hospital. A menina teve morte cerebral declarada no último domingo.

Também estão depondo hoje Lúcia Portela, médica pediatra que atendeu Adrielly, e Maria Estela Dias, clínica geral que estava no plantão, mas não cuidou do caso. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a suposta negligência no atendimento a criança.

O caso provocou grande polêmica na cidade esta semana. Em depoimento à polícia, o médico Adão Crespo dos Santos afirmou que há um mês não comparecia os plantões no Salgado Filho porque estava insatisfeitos com a escala. Ele foi afastado.

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