Rio - Com a melhora no tempo ontem, as águas da enxurrada de quinta-feira estão baixando e as cidades atingidas fazem a limpeza das áreas mais castigadas pelas inundações. A preocupação agora é com as doenças que podem vir com as enchentes, como a leptospirose, hepatite A e dengue.
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, região mais afetada pelo temporal, a Secretaria Municipal de Saúde montou 11 pontos de apoio para que a população receba atendimento médico, segundo a diretora do Departamento de Atenção à Saúde da secretaria, Sandra Fernandes.
“Na área da assistência, nós estamos com 11 pontos de apoio, fazendo vacinação, curativo, distribuição de medicamentos para doentes crônicos, estamos fazendo também ações de vigilância epidemiológica, distribuição de hipoclorito, orientação para prevenção de leptospirose, desratização e combate à dengue”, disse.
O hipoclorito de sódio é utilizado para desinfectar a água para o consumo humano e deve ser aplicado na proporção de duas gotas para 1 litro de água. Sandra destaca também que a vacina antitetânica só é necessária para quem está com a vacinação atrasada e teve ferimento.
O médico infectologista Edimilson Migowski, diretor do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alertou sobre os riscos de doenças causadas em situações de inundações. “O primeiro risco é a questão da leptospirose, uma bactéria que penetra pela pele, proveniente da urina de rato, cães, animais de grande porte que ao urinar nos ralos, nas ruas, a água lava e remove essa urina. A bactéria tem o formato de um saca-rolha. Ela tem a penetração ativa na pele, mesmo que a pele esteja sem qualquer tipo de ferimento”, declarou.
O professor lembra que o risco de contrair a doença e a gravidade aumentam conforme a pessoa fica mais tempo exposta à água contaminada ou à lama.
Segunda vítima em Xerém
Bombeiros localizaram na tarde de ontem o corpo de mais uma vítima da enchente em Xerém, em Duque de Caxias. Trata-se de Enéas Paes Leme, funcionário da Cedae que trabalhava numa represa próxima ao local. Com a localização, sobe para dois o número de vítimas em decorrência das chuvas que atingem o município desde a última quinta-feira.
O Estado do Rio de Janeiro ainda tem ao menos 2.500 pessoas fora de suas casas desde o início das chuvas.