Ciências

Uma saga: do microscópio ao DNA!


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Um holandês curioso, comerciante de tecidos, queria saber mais sobre o que embolorava seus tecidos e outras questões. Antonie van Leeuwenhoek (1632–1723) pacientemente desenvolveu lentes que não existiam e começou a observar a saliva e material sobre os dentes, encontrando corpúsculos de várias formas. Desenhou de forma rústica as primeiras bactérias, sendo reconhecido como criador da microbiologia, inventor e primeiro construtor de microscópios.

Sem universidade, sem iniciação científica, sem programas de Ciência Sem Fronteiras, sem estagiar no exterior, sem pós-doutorado, pôde fazer grandes descobertas. A curiosidade e competência mental não dependem deste tipo de estímulos, mas que oferecem oportunidades. Foi aceito como membro da Academia de Ciências da Inglaterra e da França! Em qualquer situação, seria um grande cientista!

Como curioso a observar tudo com suas lentes, van Leeuwenhoek examinou seu próprio sêmen e descreveu pela primeira vez os espermatozoides como “minhocas espermáticas” ou animais muito pequeninos que não paravam de mexer suas caudas. Jamais imaginou que eram células responsáveis pela fecundação dos óvulos, considerando-os verdadeiros “parasitas” no esperma. A palavra esperma ou sêmen vem do grego e significa semente; na verdade o espermatozoide era a própria semente!

Na época, o matemático holandês Niklaas Hartsoeker, considerou os espermatozoides como “bebês minúsculos com caudas”, tipo girinos, que cresciam e conectavam suas caudas ao corpo da mãe, transformando-as em cordões umbilicais. Apenas entre 1820 a 1830 se percebeu que o óvulo era necessário, pois se acreditava que se existissem, eram apenas para alojar os espermatozoides a dar origem ao novo ser. Mulher era incubadora, o embrião formava-se apenas a partir dos espermatozoides. Sim! O machismo tinha “bases científicas”.

Hoje sabemos que a mistura dos genes dos espermatozoides com os do óvulo levam a formação de uma célula completa e única. O homem tem 25 mil genes e com 25 mil outros da mãe, fica impossível uma combinação ser igual neste embaralhamento: sempre haverão diferenças!


Genes e Gênios

Um gene é uma receita na culinária. Para cada função no corpo tem uma receita ou manual de instruções. Quantas funções temos: produzir osso, dentes, pele, fígado, saliva, respirar, bater coração, produzir sangue, andar, falar, ver, escutar, mais e mais e mais, ufa !!!

Dentro de cada uma de nossas 10 trilhões de células derivadas de uma única, temos as 25 mil receitas. Copiadas em um material que não é plástico, nem papel, nem pano, mas DNA à base de ácido. Cada grupo de mais ou menos mil genes, são arquivados em torno de proteínas como um armário conhecido como cromossomo. Cada célula tem 23 cromossomos e, espertamente, cada célula faz uma cópia de segurança ou back-up de cada cromossomo, por isto temos 23 pares. Gene é informação, DNA material do que é feito e cromossomos são armários-arquivos de genes.

E pensar que tudo começou com o comerciante van Leeuwenhoek fabricando as lentes, identificando bactérias, glóbulos do sangue, protozoários e os espermatozoides. Em 1665, o inglês Robert Hooke verificou que haviam espaços nos cortes das cascas de árvores tipo cortiças e que esses espaços pareciam pequenas celas ou quartos de mosteiros: os conteúdos foram chamados de células.

Em 1838, os alemães Schleiden e Schwann concluíram: todos os seres vivos eram formados por células. Virchow, outro cientista alemão, concluiu na mesma época: todas as células vinham de outras células; isto foi uma descoberta e tanto e lhe deu o título de Pai da Patologia. A célula, como o ovo, tem um núcleo central ou gema, onde ficam os genes nos cromossomos, mas isto só foi descoberto depois de quase 300 anos da descoberta do microscópio e da existência das células nos seres vivos. Incrível.


2013: 60 anos

Hoje sabemos que quem comanda as células e indiretamente todas as funções do corpo são os genes de DNA nos cromossomos. Quem realizou este grande feito foram dois jovens com 23 e 37 anos! O trabalho do americano James Watson e do britânico Francis Crick foi publicado em 25 de abril de 1953 na revista Nature em apenas uma página com 939 palavras, sem fotografias, citando-se apenas cinco referências bibliográficas. A simplicidade do trabalho é chocante e os dois ganharam o prêmio Nobel de Medicina de 1962 e este fato fala por si mesmo!

Este ano completa-se 60 anos desta descoberta que mudou o mundo, em especial a medicina e a agricultura. Isto devemos comemorar!

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