Articulistas

Quem vai assistir ao BBB?

Wellington Anselmo Martins
| Tempo de leitura: 3 min

Vai começar tuuuuudo outra vezzz! Hoje, depois da novela Salve Jorge... Você vai estar em casa? Vai assistir ao reality show mais popular do País? Bem, não importa se você vai ou não ver a 13º edição do BBB; ela vai acontecer com ou sem a sua audiência e será, obviamente, um sucesso: vista por milhões e milhões de brasileiros... E os críticos sociais, por mais um ano, chamarão os brothers de "bestas narcisistas", os telespectadores de "alienados" e os promotores de "ágeis empreendedores". Enfim, bem-vindo a 2013, bem vindo à nova edição da casa mais vigiada do Brasil!

Os marxistas da famosa escola alemã de Frankfurt batizaram de "razão instrumental" toda essa tentativa de usar os conhecimentos humanos (de Psicologia, Marketing e Comunicação, por exemplo) para lucrar ou, até mesmo, para manipular pessoas. A ciência e a inteligência humana, quando estão postas a serviço da promoção de um programa como o BBB, não são mais belas virtudes veneráveis, são meros instrumentos a serviço de uma elite dominante que não só impõe a "cultura" que quer sobre o povo (telespectadores) como, ainda, por meio desse povo subjugado culturalmente, lucra milhões e enriquece ainda mais. Será que os marxistas alemães são muito radicais por pensar assim? Ou nós, brasileiros semialfabetizados, é que somos muito inocentes por não enxergar essa realidade?!

Entretanto, nem tudo são espinhos... O povo é feito de pessoas. E as pessoas ? mesmo as analfabetas de pai e mãe ? não são asnos manipulados por chicote e comida, como pensam alguns. Ou seja, o BBB vai ao ar mais uma vez, e com a mesma fórmula de sempre: gente bonita, desinibida e a maioria com pouca formação educacional. Ótimo! Ninguém é obrigado a assistir! As pessoas, os telespectadores são livres para acompanhar ou não as intrigas dos brothers dentro da casa.

Um grande filósofo do século18, chamado Immanuel Kant, dizia que as pessoas, em um determinado momento de sua vida, atingem a "maturidade". Isto é, se tornam "autônomas" e podem fazer escolhas livres, pautadas por sua própria reflexão. No Brasil, normatizou-se que, após os 18 anos, as pessoas sejam capazes de optar e ser responsáveis por suas opções. Por isso, soaria muito estranho dizer que um adulto consciente não conseguiu escolher bem entre ver ou não ver o sempre polêmico BBB.

Esse pequeno apelo à liberdade das pessoas é apenas para ressaltar que o reality show ? assim como outros programas questionáveis cultural e moralmente ? vão continuar sendo produzidos sempre. Enquanto houver meios de comunicação, haverá esse tipo de programa. Óbvio! Pois eles dão muito lucro e há muitos cérebros instrumentalizados a serviço de sua constante produção.

Porém, ainda assim, os brasileiros adultos ? quer os com diploma de faculdade, quer os analfabetos ? já possuem vivência cultural e moral suficiente para aguçar uma reflexão madura que resolva esse singelo problema proposto a seguir: hoje, quando começar o novo BBB, compensa ou não dar uma espiadinha?! Bem, fica essa questão no ar. A decisão é individual e parece ser muito livre.

O autor, Wellington Anselmo Martins, é filósofo e professor universitário; graduado em Filosofia (USC), mestrando em Filosofia (PUC) / am.wellington@hotmail.com

Comentários

Comentários