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Sobe preço de verduras e hortaliças

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

O excesso de chuvas e as altas temperaturas do verão já começam a refletir na qualidade e na quantidade dos vegetais no mercado. Pior: em supermercados e feiras livres da cidade, consumidores conseguem notar no bolso a alta dos preços de verduras e hortaliças como o alface, rúcula, couve-flor manteiga, brócolis, entre outros que tiveram seus valores duplicados e até triplicados na tabela de preços nos últimos dias.

A situação, segundo comerciantes, acontece devido à baixa produção do período, no qual as fortes chuvas acabam prejudicando o desenvolvimento das plantações folhosas, mais sensíveis a variação do clima.

Ao passar pela feira livre na quadra 3 da rua Manoel Bento Cruz, a aposentada Francisca Lopes Floriano, 66 anos, não esperava pagar o dobro do preço pela couve-flor que costuma cozinhar e colocar na salada diária.

“Tá salgado o preço e as verduras nem estão tão bonitas, mas não tem como ficar sem. Ainda mais no verão, com todo esse calor. A alimentação tem que ser leve”, comenta.

Comercializada por R$ 2,00 na feira, ontem, a hortaliça, assim como o alface, que há pouco mais de dois meses eram vendidos por R$1,00 e R$ 2,00, deverão aumentar ainda mais nos supermercados e feiras livres nos próximos dias.


40 no lugar de 100

“Todo ano é a mesma coisa. Entre dezembro e março a produção estraga muito e não temos como não aumentar o preço”, afirma a feirante Ilva Gordo, 47 anos, sobre a perda de quase de 60% de sua produção no sítio São Sebastião, em Bauru.

“Eu sempre trago mais de 100 maços de alface para vender na feira, mas hoje (ontem) só trouxe 40 porque não tinha mais: estavam todos pequenos e apodrecidos”, conta a feirante e produtora.

Resultado: em menos de uma hora de feira, a barraquinha de verduras da Ilda já não tinha mais alfaces, que foram comercializados a R$3,00, para venda, restando apenas algumas verduras como a couve-flor manteiga e o brócolis.

Nos supermercados, a realidade é a mesma. “O aumento começou com a deficiência na produção na metade de dezembro. A situação deve permanecer até março, quando o período chuvoso passa e a produção das verduras volta ao normal. Até lá, a qualidade das verduras será menor e o preço alto”, afirma o gestor de compras do setor de hortifrúti de uma rede de supermercados de Bauru, Alexandre Fátimo.

 

Alface de ouro

O alface, inclusive, uma das verduras mais vendidas, que antes era comercializada por no máximo R$ 1,50 nas prateleiras dos supermercados da cidade, já beira os R$ 4,00 e deve chegar aos R$ 4,50 nos próximos dias conforme o JC apurou junto a alguns estabelecimentos.

Alexandre Fátimo conta que a elevação dos preços se deve a dificuldade para o encontro de vegetais nessa época do ano, na qual quem não paga mais pelas verduras acaba correndo o risco de ficar sem elas.

“O preço não é o único problema, a qualidade também reduz muito e acabamos tendo que optar por verduras produzidas em estufas, em produções fora da região. O que acaba resultando no encarecimento do preço final por causa do frete”, explica o gestor.

Para aproveitar um maço de alface e de brócolis, a feirante e produtora Ilda Gordo, por exemplo, conta que teve horas de trabalho para retirar as partes podres, murchas e muito amareladas dos maços que pretendia vender.

“Dá um trabalhão pra separar o brócolis bom. De dez maços, acabo aproveitando um ou dois, no máximo”, afirma a feirante, mostrando ainda sim, a presença de partes amareladas em meio a verdura boa. “Mas...tudo vale a pena para manter a freguesia”, finaliza a feirante.


Também há alta no Ceagesp

A alta dos preços no mercado é reforçada pelo técnico de operações agrícolas da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Augusto Remoli Filho, que afirma: a variação de preços no fornecimento dos produtos ao local chegou a pouco mais de 15%.

“As caixas de maços de alface, repolho, couve-flor, que há algumas semanas eram vendidas a R$ 18,00, estão saindo por até R$ 25,00. Isso ocorre porque o consumo aumenta em média 30% no verão, justamente, a época em que a produção cai por causa das chuvas e da putrefação que acomete as folhas”, comenta o técnico do Ceagesp.


Contraponto

Já o tomate (fruta), o chuchu, a abobrinha e outros legumes, alvos de aumento de preços em outubro de 2012, por conta da estiagem, permanecem com valores e produção estável e devem permanecer com os valores normais nos próximos meses.

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